Uma Universidade — a única do paiz, e sem um curso sequer elementar de história da arte nacional! Sem um Museu de modelos, como o possuem em grande escala, as suas irmãs mais modestas da Alemanha! N’estas ensina-se a história da arte, geralmente em três cadeiras — Arte clássica e archeol[og]ia com a filologia clássica — Arte medieval — Arte Moderna; não falando na História da Música, que tem cadeira separada.
E em 1908 publicará um folheto defendendo o ensino da história da arte nos liceus. Em 1912, (carta de 1 de Maio, 1973: 222-223) voltará ao tema defendendo que a História da Arte deveria compreender duas partes: História da Arte e História da arte decorativa, mostrando-se disposto se a proposta não fosse aceite, a criar no Porto um Curso libre de História da arte e arte decorativa. Tal posição tem de ser entendida no contexto da época, por alguém que tivera profundo contacto com a cultura alemã3, que persistirá na sua mente como um modelo a seguir, num período em que a valorização das artes decorativas estava relacionada com a «arte nova» e a valorização do artesanato artístico, ligada a instituições como o Museu de South Kensington, em Londres, ou o Museu austríaco, inaugurado em 1864 (Rodrigues, 2003: 56) ou, anos mais tarde, as Wiener Werkstätte, fundadas em 1903, e congregando arquitectos, artistas e designers com vista à produção de objectos de qualidade. Em 1896, já Ramalho Ortigão testemunhara opinião idêntica (2006: 108): É pelo culto da arte, e pela educação artística que esse culto compreende, que a produção industrial se especializa, se valoriza pela originalidade característica do produto, e transforma pela prosperidade, unicamente determinada pelo ensino, toda a economia de uma nação, como se evidenciou nos últimos tempos em Inglaterra, na Áustria, na Alemanha, por via da simples reconstituição dos museus e da multiplicação das escolas. Na sequência desta defesa do património, e da educação artística como fontes para o desenvolvimento do país, também João Couto, em 1921, vem a público defender a introdução de uma cadeira elementar de história da arte nos liceus: A educação artística deve tender para criar no indivíduo um critério que leve a admirar, a apreciar justamente as obras de arte e, implicitamente, com a formação do gosto, despertar o desejo de as amar, de as conservar, de as proteger. (1921: 11) E mais adiante acrescenta: Há assim, uma necessidade imediata de começar a pensar seriamente na
59 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 56-62.
escrita a António Augusto Gonçalves a propósito da sua nomeação para a cadeira de Desenho da Universidade de Coimbra, escrevia em 19/IX/1902: Esta instituição deveria criar na faculdade de Philosophia o ensino da História da Arte Comparada; e organizar um Museu modelo em reproduções, como o possuem tantas Universidades alemãs (Bonn, etc.) (1973: 184). E em 1905, em carta de 22 de Dezembro (1973: 198-199) repete a ideia: