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O problema assenta de facto num ideal de formação que não valorize apenas disciplinas como o Português e a Matemática, mas vise criar cidadãos com uma formação humanística mais ampla. Relativamente à Itália, onde o vasto património histórico-artístico, parece sobejamente justificar o estudo da História da Arte, que foi inserido nos chamados liceus clássicos em 1923, mas que contemporaneamente também enfrenta a redução ou até a extinção:
Calado, Margarida (2013) “Porque ensinar História da Arte.”
…l’único investimento sicuro e altamente produtivo per il nostro futuro è quello destinato a educare una generazione di italiani che sai consapevole della Bella Italia, della sua cultura e della sua civiltà: fonte di ricchezza grazie anche a quei milioni di turisti che ogni anno vengono nel nostro paese (Seta, 2008: 8).
É claro que nós não temos um património artístico tão rico como a Itália, mas a verdade é que associando património artístico a património natural e gastronómico, talvez possamos encontrar um motor de desenvolvimento para o país, mesmo a nível de interior. Já Machado de Castro, no seu Discurso sobre as utilidades do Desenho (1788: 10) afirmava: Deixo de ponderar as imensas somas, que só a Pintura, Escultura, e Gravatura tem levado para Italia, e França; tanto pelos Paineis, Estatuas, e Estampas que daquelas Regiões tem sahido para outras, como pelos inumeráveis Viajantes que a ellas vão, attrahidos das maravilhas destas Artes; deixando naqueles felices Climas as riquezas que vão tributar ao Desenho. E não he isto proveitoso áquelles Estados?
E o turismo mal tinha começado, comparado com a situação actual. Por outro lado, parece haver da parte dos jovens, cada vez menos respeito pelo património artístico, mesmo dentro das paredes de uma Faculdade de Belas Artes, onde tem havido obras que foram objecto de vandalismo, desde as intervenções políticas pós- 25 de Abril até às que agora se vêem em obras expostas. Já Giulio Carlo Argan, em 1977, tinha afirmado que a escola deveria ensinar aos jovens […] a ter um mínimo de respeito pelo património artístico do país em vez de dedicar-se alegremente, como o faz a classe dirigente actual, à sua devastação2, no que tem a concordância de Cesare de Seta (2008: 68). É certo que os docentes de Educação Visual se esforçam no contexto das suas aulas (cada vez mais reduzidas em tempos lectivos) em apresentar os temas usando a História da Arte, o que nem sempre acontece com os professores de História, mas é verdade que se pretendemos uma verdadeira educação artística e patrimonial, devíamos dar mais tempo à história da arte em vez de a reduzir ou suprimir. O ensino da História da Arte foi defendido, desde o século XIX por Joaquim de Vasconcelos, quer a nível dos liceus, quer a nível superior. Numa carta