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MATÉRIA-PRIMA 1

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57 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 56-62.

recente, para o reinterpretarem ou contestarem. Parecem-nos sobejamente conhecidos os casos de Goya relativamente a Velasquez, de Délacroix relativamente a Rubens, de Manet relativamente a Goya, de Picasso relativamente a Velasquez ou de Francis Bacon relativamente ao mesmo Velasquez, não esquecendo os inúmeros renascimentos e revivalismos que marcam a história da arte ocidental. Mesmo o movimento Dada teve necessidade de pôr bigodes na Mona Lisa, ou seja, não foi capaz, simplesmente de ignorar o passado. Por outro lado, o mesmo acontece relativamente ao designer. Costumamos chamar a atenção dos alunos para formas universais como a bilha, que se define a partir do Neolítico, ou para as cadeiras que encontramos representadas, por exemplo, na arte Cicládica (época do Bronze). Relativamente ao Design de Comunicação, realizámos este ano uma experiência com alunos do 1º ano, levando-os a pesquisar anúncios que tenham utilizado obras de arte consagradas, nomeadamente do período cronológico que a unidade curricular abarca. E eu própria fiquei surpreendida com os resultados. Já depois de terminado o semestre encontrei uma marca de pacotes de açúcar com as mãos de Deus e de Adão, retiradas da obra de Miguel Ângelo no tecto da Sistina (Criação de Adão). Quanto à segunda questão, esta prende-se mais com a formação de professores em que a Faculdade de Belas Artes está envolvida, e tem sido objecto de um debate — embora não explícito — entre historiadores e licenciados pelas Faculdades de Belas Artes. A verdade é que a partir do momento em que surgiu nas Faculdades de Letras a chamada Variante em História da Arte e depois o curso autónomo de História da Arte, pareciam as pessoas provenientes destes cursos as mais aptas para o ensino da História da Arte. Simplesmente, a conveniência de horários e o que se pode chamar uma tradição de escolas, tem levado a que o ensino da História da Arte seja entregue a professores de História ou a professores de Artes Visuais, qualquer que seja o currículo das respectivas licenciaturas, ou seja, é possível que um licenciado em História nunca tenha frequentado História da Arte, e seja chamado a ensiná-la, enquanto relativamente aos licenciados em Belas Artes isso nunca acontece. Mas actualmente a situação agrava-se. A formação de professores de Ensino Básico e Secundário agrupou o Ensino da História e da Geografia, o que obriga os licenciados a cumprirem os créditos necessários à entrada para o Mestrado, não havendo disponibilidade para a frequência de unidades curriculares na área da História da Arte. No Mestrado em Ensino das Artes Visuais temos «teimosamente» mantido, como opção, a unidade curricular de Didáctica da História da Arte, esperando que isso se traduza num reconhecimento da habilitação adequada para a leccionação da disciplina no secundário. Será sobre a terceira questão que nos iremos debruçar um pouco mais longamente.


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