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no ‘entre lugares’ (Mignolo, 2003; Silviano Santiago, 1979) a partir da indagação crítica que busca questionar certezas e modelos totalizantes contestando “abordagens que formulam uma compreensão da diferença tendo como referência um Outro exógeno, externo, procedimento que mantêm o princípio de uma unidade e coerência cultural interna” (Piscitelli, 2005: 55) (Figuras 2 e 3).
Eça, Teresa Torres de (2013) “Lugares de resgate.”
Lugares de Resgate
Apolline Torregrosa, investigadora do GREAS no seu artigo introdutório para o número especial sobre educação artística da revista do CEAQ ‘Sociétés’ (Torregrosa, 2012) evocava os dois grandes mitos que coexistem na percepção contemporânea da educação; o mito de Prometeu que continua a educação do século dezanove, da escola gratuita e obrigatória para todos como um ideal de crescimento social e o mito dionisíaco libertador. A nossa educação ‘moderna’ funciona na lógica Prometeana da conquista do segredo dos deuses, procurando um ideal de progresso através de um amor abstrato pelo ensino e pelo saber — o livre Prometeu agrilhoado e devorado pelo abutres das normas e regulamentos. Uma educação que corresponde à barbárie reducionista e ambientalmente suicida da nossa sociedade onde a lógica, a razão, o progresso, os valores de mercado, o sucesso económico e a competição são as orientações gerais. Uma educação que promulga o esplendor das letras e dos números de um modo ascético e desprovido de emoção. Por outro lado existe um mito que vê a educação como transformação social, libertação, educação para os valores, para a cidadania, e que na linha da ‘escola moderna’ apela para os afetos tentando quebrar o desencantamento que temos hoje sobre a educação. Entre esses dois mitos trabalham os educadores e os professores, tal como Apollinie eu acredito que nos interstícios que existem poderá haver lugar para imaginar um tipo de educação diferente onde as artes possam ter um papel aglutinador de criação de situações de aprendizagem multidisciplinar e transcultural. Algumas dessas situações estão a acontecer nas escolas públicas e privadas, em museus, em centros culturais, em espaços comunitários, com crianças, jovens e adultos por força da vontade de professores e educadores que um pouco às cegas experimentam outras maneiras de fazer arte e educação. Os investigadores têm muito a ganhar em promover, divulgar e colaborar com essas situações, mais do que partir de hipóteses ou perguntas de partida e problemas a resolver os futuros investigadores deveriam partir de questões mais ligadas aos contextos, partir de questões como por exemplo: ‘ Como posso saber o que acontece nos contextos educacionais onde quero trabalhar? Como posso envolver-me nas redes de projetos que existem? O que tenho eu para oferecer? Como posso dar o meu contributo a essas redes? Creio que se as linhas de investigação partissem