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MATÉRIA-PRIMA 1

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48 Eça, Teresa Torres de (2013) “Lugares de resgate.”

Neste espaço virtual foi possível enlaçar grupos e comunidades de investigadores, professores e educadores que partilharam pesquisas, experiências e processos de trabalho e indagação relacionados com arte educação. Pretendeu-se abrir vias inovadoras, atuando como grupos críticos a partir da divulgação de trabalhos individuais e coletivos. Para Maria Jesus Agra-Pardiñas e as suas companheiras (Cristina, Carmen e eu) o espaço Inter foi a concretização das nossas ideias sobre a importância do fazer arte -educação e do agir arte e educação agora e aqui. Embora o aqui tivesse resultado numa geografia complexa. Inter foi sobretudo um espaço de materialização de uma ideia, de que todo o caminho se faz com pequenos passos, com atores anónimos, com pequenos projetos, mas que coletivamente formam uma inteligência coletiva capaz de gerar processos de mudança, em suma com comunidades de prática. A plataforma Inter mostrou que era possível tornar visíveis múltiplas vozes com as quais se faz arte educação, não só através de registo escrito de resultados mas também e sobretudo através do registo sistemático dos processos utilizando todos os meios que os arte educadores utilizam no seu quotidiano. As fundadoras acreditaram que esse era o primeiro passo para uma aprendizagem interativa, construída a partir de uma rede que se vai tecendo. Nos projetos de Inter os participantes utilizaram instrumentos como foto-ativismo; performances; autobiografias visuais, ensaios visuais, ensaios animados, paisagens sonoras e instalações: um leque variadíssimo de meios que abria horizontes largos para a investigação e para a maneira como falamos ou ‘escrevemos’ sobre a investigação (Agra e Mesías, 2011). Em Inter verificamos como as narrativas sobre as práticas educativas dos professores são fonte de informação e conhecimento (Agra-Pardiñas, 2010). Narrando as suas praticas escolares os protagonistas contam-nos as suas biografias profissionais, confiando-nos as suas perspectivas e reflexões acerca do que consideram uma boa prática de ensino, o papel da escola na sociedade contemporânea, os lugares donde ensinam, os critérios de intervenção curricular e docente que utilizam e os seus pressupostos. Com as suas histórias mostram-nos parte do seu saber pedagógico, prático e muitas vezes tácito ou silenciado, que foram construindo e vão reconstruindo numa multiplicidade de experiências e reflexões que realizaram e realizam sobre o seu trabalho. Ao analisar esses relatos estamos usando uma metodologia que nos trará conhecimentos únicos sobre trajetórias profissionais dos docentes implicados, os seus saberes, as sua dúvidas e perguntas, as suas inquietudes, desejos e desânimos. Um conhecimento essencial para a compreensão da educação ( Eça, Agra-Pardiñas, Trigo, Pimentel, 2010).


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