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MATÉRIA-PRIMA 1

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Cada participante neste reencontro teve a oportunidade de compartilhar a experiência de “conversar consigo mesmo” de cinco anos antes. Muitas experiências foram relatadas. Alguns projetos realizados, outros frustrados, redimensionados. Mas o que “ficou” da experiência escolar? Qual a Duração do Ensino Médio?

Machado, Alexsandro dos Santos (2013) “Intuições para uma Pedagogia da Intuição no Ensino Médio: a Duração e os Sentidos da Educação por meio da Dinâmica das Cartas.”

Qual a Duração do Ensino Médio?

Se o tempo é uma linha, somos novelo. Passado, presente e futuro não são tempos que se sucedem, mas se sobrepõem. F. C. deixa claro no fragmento a seguir que a vivência da espera de sua própria carta foi experimentada como rápida e lenta ao mesmo tempo: “Os cinco anos passaram tão rápidos, mas tão devagar ao mesmo tempo, que fiquei surpresa de finalmente (e tão rápido) recebê-la.” (CC, 2008, linhas 2503-2505). Mas como pode um tempo ser experimentado de duas maneiras tão distintas e até contraditórias? O que parece ser uma percepção idiossincrática do tempo de espera para receber sua própria carta é na verdade a vivência de um tempo absoluto. Trata-se do encontro de F.C. com aquilo que dura. A intuição da duração foi considerada por Henri Bergson o princípio e o cerne de sua obra: No meu entender, qualquer resumo dos meus pontos de vista os deformará no seu conjunto e os exporá, por isto mesmo, a muitas objeções, se não se coloca primeiramente e não se volta sempre àquilo que considero como o centro de minha doutrina: a intuição da duração (Carta a H. Höffding — Apêndice do livro de Höffding sobre Bergson, ap. Leopoldo e Silva, 1994: 35).

Costa (2009) ressalta que a tradução do conceito bergsoniano de durèe parece ser consensual para o termo duração. Isso porque em português “duração” abarca o sentido de um certo período de tempo, mas também a ideia fundamental de algo que persiste ou resiste, que “passa” continuamente de um momento a outro: Consideramos, ainda, digno de nota que, em termos etimológicos, no verbo latim durare — de onde provêm quer o termo francês durée, quer os ingleses duration e durance, quer o português duração —, se encontrem presentes significados como “endurecer”, “fortificar”, “subsistir” e “perseverar” que, em termos filosóficos, remetem para uma metáfora com que Bergson se refere à “duração”. A “dentada” da duração deixa nos seres a marca da permanência temporal, endurece-os e fortifica-os, permitindo-lhes superar uma existência enquanto justaposição inconsequente de momentos desligados e autônomos e conferindo-lhes a perseverança do estofo mais resistente e substancial de todos: o tempo (Costa, 2009: 4.).

Ser dono de seu próprio tempo é fortalecer-se por estar em consonância


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