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MATÉRIA-PRIMA 1

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Sabe, a experiência de hoje foi plena demais, daquelas que horas depois ainda se tem reflexos e continua ecoando em ti, em mim, em mais vários. (eu to muita sentida nesse momento e não to considerando o fato de estar de tpm ou coisas do tipo. É pra lá da afetação da sensibilidade). Re-encontros são muito fortes (intensidade mesmo). A gente já costuma saber isso, ok?! É porque o tipo de re-encontro de hoje captura elementos excessivos e organizar tantas sensações, percepções, leva tempo e cuidado (Caderno de Correspondências com Participantes da Dinâmica das Cartas — Turma do ano 2003. Sapucaia do Sul, 2008. Doravante denominado de “CC, 2008”, linhas 2138-2147).

39 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 37-45.

Nesta carta, cada um poderia escrever o que quisesse “dizer” para si mesmo, cinco anos mais velho. As cartas foram colocadas dentro de envelopes, devidamente lacrados e endereçados aos próprios remetentes. Os invólucros também poderiam ser recheados com fotos, bilhetes de outras pessoas ou o que mais o participante tivesse desejo de ali depositar. Todos os envelopes foram assentados dentro de uma caixa de papelão, que foi fechada e identificada com o número e o ano letivo de cada turma, bem como a data em que ela deveria ser aberta (Figura 1). O meu compromisso era de zelar pela integridade das caixas, salvaguardando que ninguém teria acesso a seus conteúdos a não ser seus próprios autores. Além disso, eu me comprometia com cada turma a enviar as cartas pelo correio no prazo combinado e promover um encontro entre todos os participantes, cinco anos depois, quando só então conversaríamos sobre os sentidos dessa experiência. No tempo combinado, as enviei todas pelo correio. Poucas cartas voltaram para minha casa. Redes sociais também foram usadas pelos expectantes participantes para lembrar-se das cartas que chegavam a suas casas e para me informar algum endereço que havia sido alterado com o tempo. Cinco anos depois de escrita, cada carta retirada das caixas foi colocada dentro de um envelope maior. Dentro deste também inseri uma carta de minha autoria convidando cada um para me escrever correspondências ou e-mails dizendo como tinha sido a experiência de se reencontrar com o que havia escrito. A partir do pretexto do reencontro dos participantes da Dinâmica, os incentivei a escreverem sobre a experiência de lerem suas próprias cartas. Com eles troquei e-mails e nos encontramos presencialmente a fim de pensarmos sobre a experiência que estávamos a realizar. Assim, sistematizamos mais de quinhentas páginas de diálogos sobre a experiência das cartas, distribuídas em três cadernos. Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando o uso do referido material para fins de pesquisa. No dia combinado previamente nos encontramos na escola aonde havíamos convivido há cinco anos. Cento e sessenta pessoas compareceram para nossa “conversa”. Assim a participante A.V. analisa a experiência do reencontro em e-mail enviado no mesmo dia de sua realização:


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