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MATÉRIA-PRIMA 1

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Conclusão

No texto procurou-se abordar uma proposta desenvolvida em um curso de formação de professores, de maneira que o leitor pudesse encontrar as conexões entre a visão de mundo dos alunos / professores e a construção de identidades docentes como um processo e, tal como o fez Werner Herzog no filme que se mencionou inicialmente como metáfora, propiciar uma experiência concreta, que pudesse ser fruída, não somente com a visão ou a audição, mas sim com o corpo inteiro, em uma construção / desconstrução da percepção. Nesse sentido, a construção dos objetos de aprendizagem realizados em estreita relação com a visão de mundo de cada professor/ aluno, no desdobramento da formação, apresentaram um diálogo com o contexto cotidiano do universo escolar de atuação profissional de cada um, sem esquecer a complexidade presente no ser professor / pesquisador/ curador. Todos os objetos de aprendizagem dos 67 alunos do curso foram construídos fisicamente e também virtualmente e estão disponíveis em uma página na internet, (http://www.ufrgs.br/artesvisuaisregesd/index.html) para serem

35 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 24-36.

materiais, projetos e textos, pode ser utilizado como material, pois diversas propostas da autora envolvem a utilização de tecidos coloridos. A preocupação da autora Lauralice Heberle é justamente a criação de um objeto de aprendizagem que possa ser um dispositivo para pensar a cultura afrobrasileira na Escola Básica. E por fim apresenta-se dois objetos que trazem de distintas maneiras o signo da viagem e da investigação em sua proposta, tal como “Malasartes” e “GuiArte” vistos na Figura 4. Malasartes traz a visão de mundo e a construção / desconstrução da identidade docente de uma professora que se equilibra entre três escolas em sua jornada de trabalho e que sabe que pode criar com seus alunos uma performance coletiva na construção de um caminho feito de pequenos guarda-chuvas multicoloridos em um passeio entre uma escola e outra. Invertendo a mobilidade de um atelier de rodinhas para objetos a serem portados pelo professor, as malas do Malasartes ou a Sacola Arquivo como um Guia da Arte, denominada “Guiarte,” caracterizam um professor em mobilidade, que vai de escola em escola e outro que sai da cidade e vai ao campo para dar a sua aula. A professora Jésica Henke apresenta o Guiarte como um microcosmo autopoiético, a luz do conceito de autopoiese de Humberto Maturana e Francisco Varela, e, a forma de utilização do objeto na escola é desenvolvida a luz das estruturas rizomáticas de Deleuze. Diz a autora que: “O objeto é definido como uma espécie de caminho / mapa em ação que se orienta através do pensamento contemporâneo e se desenvolve coletivamente, adensando-se em rizomas a partir de seu uso.”


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