34 Barreto, Umbelina (2013) “Visão de mundo e identidade docente: Produção de um objeto de aprendizagem como uma possibilidade de construção de identidades docentes.”
a necessidade do professor de Artes Visuais de compreender as diferentes expressoões artísticas em uma visão de mundo centrada em seu próprio tempo, e possibilitar os diferentes processos de criação de seus alunos a partir de motivadores complexos, envolvendo a arte tradicional e também arte contemporânea, mas sempre a partir de uma visão contemporânea. O objeto de aprendizagem Fragmentos da Arte: uma brecha no armário é um objeto realizado em conjunto aluno / professor e seus alunos, e partiu da ressignificação de um armário da própria escola em que o professor atua. Também é um objeto móvel, pois dessa maneira ele adquiriu uma personalidade própria, evidenciada pelo seu uso a partir de um deslocamento significativo, ou seja, partilhando o espaço de atelier como construtor deste espaço de trabalho. Um dos lados deste objeto está destinado à exposição de obras bidimensionais e o próprio objeto foi construído como uma pintura/ objeto tridimensional. O atelier construído como objeto é um espaço em que se privilegiam os fragmentos, as sobras e os restos, e com esta ênfase os alunos são provocados a construir suas obras a partir dos fragmentos do mundo como células da nova forma. O Objeto contém potes de diversas cores, cada um com fragmentos de objetos e restos ou sucatas da cor correspondente. As novas formas criadas com os fragmentos são construídas na paisagem, gerando também uma nova percepção do mundo contemporâneo. O segundo conjunto é formado por dois objetos de aprendizagem desenvolvidos em uma referência ao conceito de corpo ou a sua representação — Arte instrumento de vestir: sobre rufos de gola e capulanas e João Belo, apresentados na Figura 3. É importante verificar que seus autores fazem uma referência a arte ocidental e o conceito tradicional de belo e ao multiculturalismo com uma referência a arte afro-brasileira. O objeto João Belo passou a se constituir como uma presença a ser identificada como um personagem pelos alunos e pelos professores da escola, e vai sendo acrescentado e transformado pelo uso dos professores, sendo ampliado o número de bolsões que o constitui. Os bolsões são colocados nas paredes a partir de esperas feitas de velcro, criando um universo diferenciado a cada vez que é utilizado. A professora Rozane Kafer enfatizou em seu texto o Lúdico como estratégia para o ensino da Arte, trazendo a sua visão de mundo em que a ludicidade e o jogo são colocadas como possibilidade de aprendizado envolvendo a totalidade do sujeito. No objeto Arte instrumento de vestir: de rufos de gola e capulanas, está presente o confronto positivo entre a arte européia e a arte africana, a primeira trazida pelos rufos de gola e a segunda pelas capulanas, ambas representando e situando o significado do pensamento e do corpo para as culturas correspondentes. O próprio objeto de aprendizagem é uma obra vestível, e além de conter os diversos