326 Sabino, Kelly Cristine (2013) “Cadernos do Olhar: um lugar para a escrita na aula de Artes Visuais.”
individual do texto, era discutido em grupo e linhas gerais sobre o tema eram elencadas coletivamente para servirem de base para a construção textual de cada um. Para favorecer a organização do material que era produzido ao longo do ano, todo os alunos tinham uma pasta reservada ao seu Caderno do Olhar, contendo folhas em branco para rascunho de texto e projeto visual, folhas de tamanho A5 para as páginas que seriam os originais do Caderno do Olhar, e finalmente uma parte reservada para guardar as páginas prontas. Cada conteúdo expressava uma maneira diferente de sistematização: os procedimentais (figs. 7 e 9) eram experimentados durante duas ou três aulas antes de serem registrados no Caderno do Olhar. Já conteúdos históricos e referentes aos elementos da linguagem visual, ora eram apresentados a partir de exercícios também práticos, ora através de livros e filmes ou apresentações expositivas. Ao fim do processo do ano letivo, as folhas soltas eram reunidas e ordenadas de A à Z, era elaborada capa e contra capa para finalmente compor de fato o Caderno do Olhar (Figura 10). O processo de feitura do Caderno era avaliado quinzenalmente, em atendimento individual, e trimestralmente de forma coletiva, no qual cada aluno apresentava parte de sua produção escolhida para o restante do grupo. Infelizmente, o intercâmbio entre as turmas (as duas classe de 6º ano) apenas ocorreu durante a exposição do resultado na Mostra Cultural realizada ao final do ano letivo. O atendimento individual era uma prática recorrente em todas as aulas destinadas à elaboração do caderno. Primeiro, o aluno trazia o seu rascunho do texto para correções ortográficas e melhorias no texto (quando o conteúdo da escrita ainda precisava de melhor tratamento), e no segundo momento, quando o aluno voltava já com o esboço do seu projeto visual, fazíamos juntos algumas alterações quando necessário, e partia-se para o original. Para evitar subjetivismos e deixar claro o processo de avaliação dos Cadernos do Olhar foram criados critérios bastante objetivos: em relação ao verbete construído esperava-se que o texto tivesse clareza e coesão, que desse conta do que havia sido aprendido, que tivesse um projeto visual com alguma relação entre forma e conteúdo e, finalmente, avaliava-se a completude do caderno, se o aluno atingiu a quantidade de verbetes propostos. Assim, durante todo o processo a relação professor-aluno era bastante próxima, na qual discutíamos o desenvolvimento de cada verbete e o resultado a cada trimestre. Das percepções
Ao longo dos dois anos em que a proposta foi realizada muita coisa foi sendo modificada e com a inclusão da escrita lúdica, a proposta foi claramente remodelada e resignificada. Mas, de qualquer forma, o trabalho de reflexão sobre este