Sabino, Kelly Cristine (2013) “Cadernos do Olhar: um lugar para a escrita na aula de Artes Visuais.”
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Dos caminhos
Como manter tal projeto potente ao longo de um ano letivo com pré-adolescentes que operam na lógica da velocidade da internet e das novas tecnologias? Esse me parecia ser o maior desafio que a proposta me colocava. No primeiro ano do experimento, a turma estava menos disponível e a primeira implantação resultou num trabalho arrastado e ardiloso. A metodologia ainda carecia de alguns reparos. Não havia tanta clareza do ritmo que o trabalho deveria ter, cada verbete tomava muito tempo até ser realizado, e ao fim do ano, o resultado deixou a desejar. Poucos foram os alunos que fizeram um Caderno do Olhar cuidadoso e completo. Já no ano seguinte, a metodologia do trabalho, ainda que empírica, ficou mais clara para mim e, consequentemente, para meus alunos. Sabia que deveria partir da escrita como elemento plástico e do papel como campo visual. Nesse sentido, iniciei o trabalho com uma sequência didática experimentando a palavra de forma lúdica, a fim de estabelecer uma compreensão da palavra como elemento da linguagem visual, usando o desenho como técnica. Para estruturar a proposta, optou-se por três blocos de conteúdos: A) Procedimentais, como por exemplo, tipos de pintura e diferentes técnicas: uso de nanquim, carvão, pastel seco, em sua maioria procedimentos e materiais que exigiam maior precisão e delicadeza. B) Históricos, como apresentações de artistas e visitas a exposições: foram trazidos artistas que ora conversavam com conteúdos procedimentais — como no caso do “dripping” (Figura 9), em que apresentamos Pollock, ou da colagem, em que chegou-se a Picasso e Matisse –; ora faziam alguma referência a um momento da história da arte que nos interessava. C) Elementos da linguagem visual, como por exemplo o ponto, a linha, formas geométricas e etc., eram trabalhados a fim de operar uma espécie de letramento visual. É importante destacar que os três blocos se misturavam durante o processo e eram decididos de acordo com a resposta dos alunos às propostas apresentadas. Por exemplo, do estudo da colagem chegamos em Matisse. O artista interessou tanto os grupos, que pesquisamos a fundo sua obra, compondo o verbete H — Henri Matisse experimentando a pintura como o fez o artista ao fim de sua vida (Figuras 7 e 8). A dinâmica das aulas, portanto, combinava conteúdos sempre partindo da prática à sistematização do que aquela experiência trazia, organizando-os em forma de texto e projeto visual. Apesar do uso de uma mesma dinâmica, o trabalho não era monótono, pois não mantinha um mesmo ritmo, uma vez que cada conteúdo e consequente resposta dos grupos empregava um tempo de trabalho diferente. Cada novo conteúdo incorporado, antes de passar para a criação