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meramente lúdica, e passam a abordar noções básicas da área, com conteúdos específicos, como as demais disciplinas. Em conjunção à clara inspiração no Abecedário de Gilles Deleuze, vídeo proposto por Claire Parnet, no qual o filósofo discorre sobre diversos assuntos a partir das letras do alfabeto, a proposta dos Cadernos do Olhar foi sendo elaborada a partir da seguinte questão: Como criar um plano pedagógico anual que organizasse os conteúdos de maneira criativa e interativa, que coordenasse o desenvolvimento das propostas apresentadas respeitando as respostas dos interesses, aptidões e desejos dos alunos? Da proposta Na tentativa de responder tal questão nasceu a proposta Cadernos do Olhar, que por um lado pretendia criar uma sistemática de registro ativo dos conteúdos movimentados na aula, relacionando sua técnica (forma) com o que havia sido tratado (conteúdo). O registro de cada aluno deveria ser assumidamente diferente, único, desde o texto elaborado ao projeto visual da página. E, por outro lado, com os Cadernos do Olhar se pretendia abrir uma brecha para uma escrita criativa nas aulas de artes visuais e sintetizar, neste fio condutor, todo um processo de aprendizagem vivido pelo aluno. Desta forma, os Cadernos do Olhar (Figura 1) funcionavam como uma espécie de di[cion]ário composto de verbetes de A à Z (Figura 2) de tudo o que acontecia nas aulas de Arte: desde o contato com algum novo material ou procedimento, até lições que se pode aprender com artistas estudados nas visitas a exposições. Cada prática resultava num processo de escrita — batizada de “escrita lúdica” — partindo da palavra como desenho (poesia concreta). Cada texto era criado pelo
Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 319-328.
Figura 1. Caderno do Olhar. Fonte: própria, 2012. Figuras 2 e 3. Exemplos de verbetes do Caderno. Fonte: própria, 2013.