Sabino, Kelly Cristine (2013) “Cadernos do Olhar: um lugar para a escrita na aula de Artes Visuais.”
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Da especificidade da escola
Trata-se de uma escola pública vinculada à Faculdade de Educação e suas pesquisas. O processo seletivo para ingresso dos alunos na escola se dá por meio de sorteio, sendo um terço das cotas destinado aos filhos e dependentes de profissionais ligados à Faculdade, um terço das vagas para os filhos e dependentes dos profissionais de toda a Universidade e a última parte aberta à comunidade externa. Assim, o perfil do aluno da escola é bastante heterogêneo, formado por diferentes situações socioculturais. Trata-se de uma escola que visa a pesquisa e aplicação de inovações no campo educacional, de forma que o professor tenha maior liberdade de escolha de conteúdos para compor o currículo (em relação às demais escolas estaduais, cuja docência é apostilada). Da necessidade
A proposta Cadernos do Olhar surge em meio a inquietações sobre a prática docente que me ocuparam a mente assim que ingressei na Escola como professora no último trimestre do ano letivo de 2010, recém-formada, tendo que projetar o ano seguinte para aquela mesma série. Como prever um ano letivo inteiro sem conhecer os alunos que teria? Como preparar aulas que não engessassem a prática? Tais questões me convocavam a pensar a minha prática docente como parte do meu processo de criação artística: o que me mobiliza como artista e educadora é também o que me convoca a ensinar meus alunos. Assim, a docência se revelou como um trabalho de criação de uma espécie de inventário de percursos, no qual fui produzindo diários de conteúdos que me afetavam e com eles trabalhava em sala de aula, apoiado na ideia do professor como aquele que coloca matérias em movimento (Deleuze, 1988). Além das inquietações, havia desafios claros: sentia que precisava operar na desmistificação da cultura escolar envolvendo a disciplina Arte, dotada de mérito e importância inferiores em relação às demais disciplinas. Portanto, precisava de uma estratégia para demarcar junto com os alunos uma produção de conhecimentos específicos da área, ampliando uma compreensão limitada da aula de Arte como prática desenho, seja como cópia seja como livre expressão. Havia também a demanda da escola para contribuir na consolidação do processo de letramento nesta série. E ainda, havia para mim um sentido específico de desenvolver esse trabalho com esta série, pois ao chegar no 6º ano, os alunos passam por uma grande mudança na Escola, deixando para trás o Primeiro Ciclo (1º ao 5º ano). Troca-se a professora de sala pelas novas disciplinas com professores especialistas, apesar das aulas de artes já serem ministradas por especialistas desde o 1º ano. E, com os Cadernos do Olhar, eu pretendia sinalizar também uma mudança nas aulas Artes, que deixam de ter um caráter de experimentação