32 Barreto, Umbelina (2013) “Visão de mundo e identidade docente: Produção de um objeto de aprendizagem como uma possibilidade de construção de identidades docentes.”
área, expedições com finalidade específica em outros locais da cidade ou a vinda de um artista à escola, na realização de uma residência artística. Quanto ao currículo, foram retomadas as temáticas definidas em lei para serem desenvolvidas no currículo escolar, enfatizando o seu valor e a necessidade de serem trabalhados de forma adequada, enfatizando nesse caminho a inclusão e a promoção da multiculturalidade. Em relação à inclusão a ser trabalhada na arte, buscou-se enfatizar a necessidade de não se restringir a suprir as necessidades cognitivas dos alunos com necessidades especiais, mas a importância de pensar em todo o grupo a partir de diferenças expressivas individuais para a criação de espaços de sociabilidade. Além disso, a multiculturalidade foi vista como a implicação da coexistência harmônica das várias diferenças culturais. 2. Objetos de aprendizagem como identidades docentes
Os objetos de aprendizagem foram realizados a partir da escolha de um eixo operacional e da escolha de uma fisicalidade específica, ambos relacionados a um conjunto de características físicas do local de trabalho de cada aluno/ professor, apropriadas por cada um, e um conjunto de propostas / projetos, novos e coletados, envolvendo o uso do objeto de aprendizagem que estava sendo elaborado. A fisicalidade dos objetos teve como referência a arte contemporânea, como as “caixas valise” de Marcel Duchamp (1911-1914), ou os “Parangolés” de Hélio Oiticica (1960), objetos que se desdobram, ou que trazem diversas capas articuladas entre si. Também foi referência para a fisicalidade a ser construída, a obra do artista Claes Oldenburg (1929-), pois se considerou importante ter sempre em mente os referenciais do universo da arte articulados ao cotidiano de cada um, de forma que o objeto pudesse se relacionar com o espaço da escola, mas ao mesmo tempo, causar espanto, estranhamento e curiosidade. A necessidade era que se pudesse pensar em um objeto multifuncional que criasse um estranhamento em sala de aula e pudesse, simultaneamente, desconstruir o design tradicional das coisas, com a possibilidade de atuar na desconstrução da forma, e também da função dos objetos conhecidos e próximos. Os alunos / professores compreenderam que a partir de uma apropriação incomum de coisas do cotidiano, o banal poderia ser transformado em objeto artístico construído pela ação inovadora e atitude criativa do professor de artes. Materiais comuns como tecidos, feltros, fechos, botões ou presilhas poderiam servir para criar formas articuladas ao universo da arte, como havia sido apreciado na obra do artista gaúcho Carlos Pasquetti (1948-), exposta na 8ª Bienal do MERCOSUL, visitada em uma experiência de aprendizagem realizada durante o curso. Outras experiências de aprendizagem também foram significativas para as