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MATÉRIA-PRIMA 1

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310 Rittmann, Sônia Maris (2013) “Caixa de Pandora: da narrativa textual à narrativa visual.”

Tal como a metáfora poética de Quintana, a experiência estética e artística vive da esperança presente na mudança, na transformação do mundo, mesmo que esta mudança, a princípio seja iniciada apenas como um voo de intenções a cada passagem de ano. Este voo de intenções também está presente na experiência estética e artística envolvendo a criação proporcionada a partir do Objeto de Aprendizagem Caixa de Pandora, com o desenvolvimento de seus projetos, a prática em diferentes linguagens artísticas, a leitura de imagens, a interpretação do mundo contemporâneo a partir das relações entre arte e educação, a possibilidade de ensinar e aprender arte através da experiência em arte e da arte, a reflexão sobre como o humano produz, pensa e contextualiza arte são requisitos indispensáveis para pensar e fazer arte. Nesse ir e vir do pensamento, da criação, da pesquisa, da escuta do outro e do prazer em fazer arte, aprender em conjunto, duvidando das certezas, tentando entender esse mundo em que vivemos muitas vezes tão caótico e incompreensível, como uma possibilidade de transgressão — segundo Hernandèz (2000) — de mudança de paradigmas, de “des-automatização”, de “des-rotinização” de nossas práticas escolares, de ver as coisas com outros olhos, ou pelo menos, a partir de outros pontos de vista, de forma mais poética, penso que a arte cumpre um papel muito importante, se não de transformar o mundo, pelo menos de humanizar um pouco nosso planeta e tornar os corações e mentes mais sensíveis. Impossível falar em Arte sem pensar em Estesia. Ver além do visível, perceber o encanto por trás da aspereza da vida. Sábias palavras que marcaram minha transformação. Eu, que antes privilegiava mais a razão do que a emoção, cheia de certezas, achando que minha visão de mundo, real, concreto, cheio de dureza e injustiças, nunca seria afetada pela forma poética como a professora de arte tentava nos seduzir, encantada. Dizia ela, que deveríamos sim ter um pé na realidade, mas que nem por isso, deveríamos deixar de sonhar e de possibilitar que nossos alunos também pudessem sonhar e criar de forma mais prazerosa. Penso que essa seja uma das funções da arte, pois se não tem o poder de transformar completamente o mundo e acabar com todo sofrimento, ao menos ela pode amenizar o mal do mundo, tornando nossos corações mais sensíveis e humanos. Creio que essa seja também a mensagem da Caixa de Pandora: que mesmo com todo o mal, com todo o sofrimento infringido aos seres humanos, ainda guardamos dentro de nossos corações a esperança, e é ela que nos move e que nos faz querer ser, a cada vez, seres humanos melhores.


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