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MATÉRIA-PRIMA 1

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304 Rittmann, Sônia Maris (2013) “Caixa de Pandora: da narrativa textual à narrativa visual.”

a proposta de apresentar obras de arte contextualizadas, como produto cultural e histórico, situadas em tempos e locais diferentes, com formas e conteúdos distintos, através da leitura de imagens, da exploração e criação de mapas conceituais e do desenvolvimento dos projetos — possibilita uma maior compreensão das diferentes linguagens e códigos utilizados pelos artistas. O Objeto de Aprendizagem Caixa de Pandora partiu de uma pesquisa sobre os livros de artista e livros-objeto, entendendo que o livro-objeto ”não precisa ser um livro, bastando ser a ele referente, mesmo que remotamente” (Silveira, 2001: 25). Anne Moeglin-Delcroix em entrevista concedida a Paulo Silveira também nos fala sobre o sentido do livro como obra O livro é uma obra no sentido pleno do termo, ou seja, é concebido de tal maneira que todos os aspectos do livro participam da significação. O livro não é ai um simples continente ou suporte para uma mensagem que seria independente dele (...) (Silveira, 2001: 287)

Desta forma o livro-objeto, teria sua função ressignificada a partir de um de um processo de abstração, transformando-se em uma linguagem artística. O objeto de aprendizagem Caixa de Pandora se constituiu a partir da construção de um livro-objeto, tendo como principal referência artística os trabalhos desenvolvidos por Susan Collard, artista e arquiteta estadunidense, que, desde 1991, nas horas vagas dedica-se à criação de livros de artista. Segundo a própria artista: Sempre me disseram os meus livros são “de arquitetura.” (...) Talvez, a coisa mais importante que aprendi na escola de arquitetura foi o hábito de pensar em edifícios como uma série de espaços em que se move através. Expansão e contração, variedade e repetição, caráter aberto e encerramento: todas essas abstrações, que emprestam forma e ordem a um projeto, são finalmente sentidas em um nível visceral. No final, o que importa é o movimento, memória e percepção. Tendo aprendido a visualizar os caminhos através de um edifício, desta forma, é natural interpretar outras experiências de forma semelhante: a leitura de uma cidade, cânion, poema, jardim, ou livro como uma série de fluidos espaços. Para mim, os livros tendem a se desdobrar como os quartos de uma casa, enigmática, inacabada. (...) (Collard, 2012)

Partindo da ideia de movimento, memória e percepção trazida por Collard, foi pensada e posta em prática a construção de uma “caixa” articulada (Figura 1) como um pequeno biombo, que evocasse a percepção sensorial e visual, em que cada “folha-página” traria alguns materiais significativos das linguagens exploradas nos projetos de ensino e aprendizagem. O livro-objeto, Caixa de Pandora, tal qual um livro, ficou em sua versão final com quatro núcleos tridimensionais com nichos individuais para os referidos


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