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MATÉRIA-PRIMA 1

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1. Apreciação de novos deslocamentos e percursos

Na fase inicial do projeto, foi proposta pela professora Atelierista uma apreciação de vídeos sobre Le Parkour, uma atividade que consiste na realização de percursos e deslocamentos não convencionais pelas cidades e que vem se popularizando mundialmente, principalmente pelos vídeos veiculados na internet. Os praticantes do Parkour (em francês, também chamados de traceur ou traceuses) realizam e combinam corridas, saltos, escaladas, rolamentos a partir de obstáculos e de limites encontrados na própria arquitetura das cidades e nos ambientes que os circundam. Os vídeos selecionados na internet evideciaram a atividade de Daniel Ilabaka, um praticante de “parkour”. O objetivo dessa apreciação consistia em criar uma discussão entre os alunos sobre as diferentes possibilidades de deslocamentos, suas relações com as criações artísticas e as diferentes possibilidades de registros dos percursos. Os alunos mostraram-se encantados com a qualidade dos movimentos corporais dos “artistas/atletas” e com a

285 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 284-290.

e deslocamentos nas grandes cidades. Esse eixo temático é constituído a partir de perguntas norteadoras e pretende-se abordá-lo do ponto de vista interdisciplinar. Nas aulas de Artes Visuais do 4º ano, buscamos então ampliar o conceito de deslocamento e conectá-lo ao âmbito artístico; relacioná-lo com a noção de movimento e suas possibilidades nas linguagens expressivas. A ideia não era propor atividades em Artes que facilitassem o entendimento ou a abordagem desse tema, mas, justamente, propor outros tipos de aproximação criativa a esse conceito de “deslocamento”, que evidenciassem seu caráter complexo e plural. Essa abordagem, que se pretende interdisciplinar e que vincula diferentes áreas do conhecimento está conectada também às propostas pedagógicas das escolas municipais de ensino infantil de Reggio Emilia, na Itália, que afirmam a importância do trabalho a partir das múltiplas linguagens. Segundo uma entrevista com a Atelierista Vea Vecchi, ao comentar sobre o início do trabalho em Reggio Emilia, ela diz: “... a linguagem visual era interpretada e conectada com outras linguagens, todas desse modo ganhando em significado”. (Edwards et al, 1999). Nessa perspectiva, o Atelier pode anunciar-se como importante veiculo cultural e gerar aprendizagens e descobertas significativas. Na Escola Viva, a partir da inspiração das escolas de Reggio Emilia, também foi adotado o termo Atelierista para designar o profissional que, além de lecionar no espaço do Atelier, também atua em parceria com o professor polivalente de sala, no espaço da sala de aula ou em variados espaços pedagógicos, durante a rotina semanal das crianças. O projeto que relataremos a seguir foi desenhado por uma professora Atelierista, por um professor de Música e pelos alunos do 4º ano.


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