274 Hencke, Jésica (2013) “Guiar-Te!”
destaca Machado (2010), as artes se relacionam e suas especificidades ecoam umas dentro das outras, vive-se na era da sinestesia “a música é visual, a escultura é liquida ou gasosa, o vídeo é processual, a literatura é hipermídia, o teatro é virtual, o cinema é eletrônico, a televisão é digital” (Machado, 2010: 72), e as relações humanas são factuais. Assim “Guiarte” apresenta-se como um corpo híbrido desterritorializado, pertencente a um contexto histórico; visto, lido e compreendido por quem o utiliza, ele é desafio e fluidez, que deve ser reinventado ao ser utilizado, não possui um pensamento arcaico nem tampouco se ampara numa estrutura fixa, como seu próprio nome propõe: Guiar-te, uma possibilidade de mapear caminhos, criar itinerários, tendo consciência da incerteza. Um rizoma é feito de dimensões, constitui-se por multiplicidades relacionais, sendo que neste emaranhado se metamorfeia e hibridiza-se, é formado por linhas, podendo mudar sua própria natureza, pode ser visto como um “mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga” (Deleuze & Guattari, 1995: 32). Para que haja diálogo é necessário conhecimento, e este exige inter-relações dos saberes tornando o ato de ensinar e aprender um contínuo processo de ação e interação, de ver as inúmeras possibilidades que existem num determinado contexto, dentro de uma imagem, num gesto, numa palavras, assim é preciso aprender a ver, através do não visto. Impressões a “Guiarte”
Temos plena clareza de que a aprendizagem é o único e continuo fluxo que nos torna humanos, auto-organizados e capazes de sentir estesia, de ficar perplexo perante a beleza ou sordidez da imagem, do som, da textura, assim Guiarte uma pasta / bolsa / arquivo / diário / livro de artista / microatelier, transforma-se numa possibilidade de ver fragmentos da arte dentro de um contexto, sendo lido e percebido. Angariando a possibilidade de uma experiência plástica e estética, fazendo relações entre a arte e a educação, um movimento do “ver e não ver” para então aprender a ver. A existência não é fixa é volátil, nada se encontra pronto tudo é um processo, e levar à sala de aula o processo enquanto postura pedagógica é complexo e desafiador, não se tem certeza dos espaços que serão conquistados, são bolsões de possibilidades que exige tanto do educador como do educando uma postura investigativa e ética. Guiarte é um organismo vivo todo organizado, e, por mais insignificante que possa apresentar-se aos olhos de um leigo, um artista-professor conseguirá ver