Skip to main content

MATÉRIA-PRIMA 1

Page 273

2. Escola, relações e multiplicidades

A vida é feita de recortes que constituem fragmentos, apesar de tentarmos ver o todo, sabe-se que é utópico e quase inumano; aqui o que se pretende é pensar a escola e a educação como questões complexas. Este ambiente se configura pela possibilidade da invenção e reinvenção do ser humano, enquanto aprendiz e ensinante, trata-se de um espaço em que não é possível negligenciar os saberes e nem torná-los obsoletos e descontextualizados. Segundo Morin (2009: 19) construímos uma inteligência míope, daltônica, estrábica. Infelizmente almejamos uma inteligência parcial que reduz o mundo a fragmentos, que destrói as possibilidades de reflexão e compreensão, incapaz de encarar os contextos planetários, não mais criativos, apenas reducionistas, unidirecionais; neste ínterim vemos a emergência de repensar a educação, devolvendo à escola o seu papel complexo. Por isto, o uso de objetos de aprendizagem nas aulas de Artes Visuais é um mecanismo apto a instigar a investigação. Para ser pesquisador não se pode fechar num único ambiente, apenas numa área de estudos, é sim, fundamental ver que existem relações entre as inúmeras disciplinas e estas são as molas que promovem a aprendizagem, assim “Guiarte” é constituído por seis projetos que funcionam como bases para o estudo através de uma análise contextual e interdisciplinar, numa tentativa de vivência entre as diversas disciplinas curriculares. Aqui emerge o viés da complexidade, onde o ato de hibridizar-se se tornou a fluidez contemporânea, tudo está interconectado e interdependente, como

273 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 264-275.

A constituição do objeto de aprendizagem é feita por nichos isolados/bolsões, mas entendidos como ramificações interconectadas. Sua inserção no âmbito escolar dá-se através de um recorte na história da arte, ao valer-se de artistas modernos e contemporâneos, que usam tanto a pintura, como a escultura e a fotografia para deflagrar as mazelas humanas. Tendo a linguagem enquanto mecanismo de relações; como seres humanos, somos simbólicos e utilizamos estes símbolos para promover nossas ações coordenadas; muito além da palavra utilizamos símbolos, imagens, gestos através do nosso corpo. “Guiarte” caminha junto com cada um de nós guiando-nos a um novo reconhecimento dentro do campo das Artes Visuais. A imagem da Figura 9, a qual pode demonstrar metaforicamente que as conexões mentais humanamente estabelecidas são interligadas e interdependentes, pode-se fazer uma analogia ao fluxo sanguíneo que leva a todos nossos poros e microveias às informações que captamos através dos sentidos, e quando tais dados passam a permear nosso inconsciente pode vir a tornar-se aprendizagem.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook