Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 264-275.
Apropriar-se de um tempo específico para a idealização e elaboração de um objeto de aprendizagem de Artes Visuais, sua exploração e análise através da escrita deste artigo, através deste dizer / fazer como pressuposto para a aquisição do título de Licenciada em Artes Visuais compromete voltar o olhar para o início deste percurso, onde ansiedade e insegurança misturavam-se, e sentia-me como se estivesse adentrando em um sonho, envolvendo a volatilidade e desterritorialidade, que acabaram por dar vazão à professora investigadora que tenho sido. Um dos pontos culminantes do processo é o objeto de aprendizagem denominado “Guiarte”, que começa a ser apresentado como uma espécie de organismo transformável, pulsátil e investigador, como um microcosmo autopoiético (Maturana & Varela, 1995), embora seja simplesmente um objeto. A inquietação que transpassa minha existência constitui-se como um corpo, como possibilidade de ação, interação e aprendizagem. Pensar em um ‘corpo’ leva a perceber que somos inacabados, como seres de razão e emoção. É certo que a aprendizagem dá-se na completude e na complexidade humana, aprende-se a viver entre polaridades, num emaranhado de ambiguidades envolvendo: vida e morte, consciente e inconsciente, o inteligível e o sensível, a racionalidade e a irracionalidade, e em meio a estas oposições é que se buscou unir no objeto de aprendizagem três vertentes: arte, corpo e mídias como construtores da aprendizagem. Partindo de três obras de arte: Cândido Portinari, Criança Morta, Óleo sobre tela, 176 cm × 190 cm, 1944; Adriana Varejão, Varal, óleo sobre tela, 165 cm × 195 cm, 1993; Manuel Vilariño, Paraíso fragmentado, fotografia, 330 cm × 550 cm, 1999 — 2003. Buscou-se nessas escolhas articular a compreensão da vida, tanto humana quanto a dos demais seres vivos, num processo em que a arte é vista como uma construção, desconstrução e reconstrução de saberes, conceitos e possibilidades de aprendizagem, incluindo a interdisciplinaridade. A compreensão da vida planetária é abordada por Morin (2009), como um todo complexo, que é visto de forma fragmentada. O ato de contextualizar e globalizar significa também investigar, modificando nossa aptidão de pensar “[...] O pensamento contextual busca sempre a relação de inseparabilidade e as inter-relações entre qualquer fenômeno e o seu contexto, e deste com o contexto planetário. [...]” (Morin, 2009: 21). Como professora / pesquisadora / curadora, atuando ao lado de outros professores, investida da função de artista-propositora-autora de um objeto de aprendizagem, em uma aproximação da arte de uma forma irrevogável, e
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Um mapa a “Guiarte”