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MATÉRIA-PRIMA 1

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256 Guimarães, Ana Luiza Bernardo (2013) “Não me proteja do que eu quero! Parangoleando a formação dos Professores de Arte”

talvez, nem mesmo possíveis de serem ditas. Práticas que desfazem a compreensão, a fala, a visão e a escuta das mesmas coisas, dos mesmos sujeitos, dos mesmos conhecimentos. Desassossegam o sossego dos antigos problemas e das velhas soluções. Estimulam outros modos de ver e ser visto, dizer e ser dito, representar e ser representado. Em uma expressão: dispersam a “mesmice”.

Esses professores que levam a docência a um espraiamento de seus próprios horizontes assumem “o seu trabalho como um processo de ir e vir, de rascunhar, de rabiscar, voltar a desenhar-se” (Loponte, 2007: 236). E para isso não há manuais ou receitas prontas! Na ação de esquadrinhar-se constantemente, os professores questionam sobre o quê e como ensinam, buscando uma relação maior entre aquilo que pensam e realizam, precisando da vida e do viver para que o ensino/aprendizagem em arte se efetive. Nesse contexto, tais professores terminam por liquefazer as fronteiras enraizadas que distanciam a teoria, a prática e a própria produção artística da vida, potencializando em si e no outro, estados de invenção, reivindicando a desaprendizagem como meta — em um processo contínuo de reflexão sobre aquilo que já se sabe, mas também de pesquisa sobre o que se almeja conseguir (Irwin, 2008). Assumir-se professor em constante estado de invenção consiste tanto em investigar sua práxis, como em não negar que existam ‘formas e modos’ de ser docente, encontrando brechas para escapar da cristalização das práticas pedagógicas e estéticas para desencadear devires. Uma docência que se faz artista não se esquece das mazelas que a envolvem — como as inadequadas condições de trabalho, os salários incompatíveis ou os currículos engessados —, mas procura formas de resistência (Foucault, 2004), dispositivos respiráveis para a subjetividade, assumindo que “a cena docente é feita de dificuldades, dissonâncias, resistências, frustrações, erros, acertos, mudanças de rumo, dúvidas, incertezas, conquistas, sucessos” (Loponte, 2007: 236). Para tanto, faz-se necessário conhecer seus desdobramentos, apreender a matéria de sua ação, reconhecer procedimentos e utilizá-los em toda sua potencialidade. Trocando em miúdos, implica um saber/fazer que enquanto faz, aprende, e que enquanto aprende, se faz. A esse respeito, Eisner (2008) considera que a fatura artística e seus modos específicos de pensar são relevantes — para não dizer necessários — ao aprendizado dos estudantes, mas o são sobremaneira na formação de professores que prime pela relação entre pesquisa/ produção artística/ atuação educativa. O autor aponta que “examinar uma concepção de prática enraizada nas artes pode contribuir para o melhoramento dos meios e dos fins da educação” (Eisner, 2008: 06), uma vez que urge recompor, através das formas de pensar


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