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MATÉRIA-PRIMA 1

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254 Guimarães, Ana Luiza Bernardo (2013) “Não me proteja do que eu quero! Parangoleando a formação dos Professores de Arte”

Figura 1. Fotografía de Cláudio Oiticica. Hélio Oiticica. Parangolé P15, Capa 11, Incorporo a Revolta, Rio de Janeiro, Brasil (1967).

permanente e durável. A essência de sua produção consistia em propor experiências que potencializassem o alargamento do ser/estar, gerando no outro a redescoberta de si como produtor de arte. Dentre todas as proposições de Oiticica, destacam-se os Parangolés (Figura 1), um conjunto de capas, bandeiras, barracas e estandartes, fabricados pelo artista e confeccionados com pedaços de tecido, juta, sacos entre outros materiais. Em parangolé vemos a fusão entre cor, corpo, dança, poesia e música. Qualquer um pode usar um parangolé e ser o motor da obra, fazer a obra acontecer e, de certa forma, assumir para si a crítica inserida na mensagem que a reveste. Esta proposição satisfazia a uma aspiração máxima do artista: a total interação entre a obra e o público, e por este acesso, uma estreita ligação entre a vida e a arte. As obras de Oiticica, longe de serem dadas à pura apreciação, são antes, convites para vivências, proposição do artista ao participante, o ‘ex-espectador’, que atravessado por essa experiência, pode adentrar os estados de invenção — um escape a esse espírito de manada que trabalha para nos enquadrar (Luft, 2004). Esse conceito de invenção, proposto por Oiticica, abrange o descobrir e demanda correr riscos, resistir a captura do óbvio para lançar-se em outras situações, para estar em constante ‘estado de invenção’, isto é, de desaprendizagem permanente — visto como uma experimentação incessante para fugir ao controle da representação (Kastrup, 1999).


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