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MATÉRIA-PRIMA 1

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25 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 24-36.

de Licenciatura em Artes Visuais modalidade à distância (licenciaturas brasileiras referem-se à formação de professores para a educação básica), envolvendo a construção de identidades docentes em interlocução com a visão de mundo dos sujeitos participantes, em deslocamento e sobreposição, pode parecer, a princípio, uma tentativa de construção/ desconstrução de valores que apresenta uma diversidade micrológica de difícil compreensão. Pensar na apresentação da proposta de um modo metafórico, na busca de uma representação significativa para o dilema inicial da escrita, pode envolver a possibilidade de o texto ser dado como a tentativa de criar um roteiro para a realização de uma narrativa de um diálogo de surdos e cegos. Nesse caminho, é certo que se correria o risco de o percurso textual ser visto como aparentemente absurdo, e, nesse contexto, como algo, simplesmente, inoperante. Primeiro, por ser centrado na visão de mundo de um aluno duplamente em curso, em uma formação docente em deslocamento de sua atuação na educação como professor leigo, segundo, por ser um aluno que está, por um lado buscando a estabilidade, e por outro a transformação, mas em processos concomitantes. Embora eu tenha pensado na adequação e impossibilidade do uso da metáfora inicial escolhida, reconheço com alívio que esta é uma façanha que, felizmente, Werner Herzog já realizou de um modo magistral em seu filme documentário, “Terra de silêncio e escuridão,” de 1971. Entretanto, trazer o filme de Herzog como metáfora para introduzir a proposta a ser focalizada no texto, pode ser significativo na medida em que o documentário realizado pelo artista é também uma sequência de descobertas de novos mundos por pessoas que desconheciam suas identidades perceptivas, e que, aparentemente, são mundos conhecidos e experienciados por todos nós. Ou, são mundos que têm a possibilidade de ser conhecidos, vividos e experienciados, mas, necessariamente, nem sempre fazem parte de nossa experiência de vida, apesar de nos referirmos a eles cotidianamente como se os tivéssemos vivenciado. Pensar em como cada sujeito constrói a sua visão de mundo, a qual se apresenta com frequência como uma imagem dada e acabada, e, em como a construção da experiência pode transformar essa visão de mundo em um processo, ampliando a autoconsciência e a compreensão de nosso próprio lugar na partilha com o outro no compartilhamento dos espaços coletivos, e, principalmente, a enfatizar a responsabilização no modo como temos habitado o mundo; pode ser essencial para se focalizar uma produção de conhecimento realizada na formação de professores em exercício, em que se relaciona o saber/ fazer e o ser no próprio processo do conviver. Sabe-se que, com frequência deixa-se de perceber o espaço em que estamos


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