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MATÉRIA-PRIMA 1

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Day, Giseli & Meurer, Jucilene (2013) “O ensino de arte na educação básica brasileira: uma abordagem prática pautada no cotidiano educativo das crianças pequenas.”

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Conclusão, para encerrar (e alimentar novas ideias...)

Por meio do olhar, da experiência e sensações que ele traz, a criança consegue complexificar suas conexões com o mundo, pois tudo que está ao alcance do olhar também está ao alcance da percepção (Merleau-Ponty, 2004). Nesse sentido podemos perceber a necessidade de olhar o mundo com uma atitude de estranhar o familiar (André, 1991). Nas palavras de Merleau-Ponty (2004) devemos “reaprender a habitar o mundo”, tornar novamente o nosso olhar sensível para as imagens que podem tornar-se experiências e vivências significativas no nosso cotidiano, inclusive com as crianças. Diante das imagens procuramos maneiras de vivenciar, imaginar o que vemos, nos interessando por uma imagem ou outra, onde a imaginação lhe acresce valor. Assim a imagem dentro do ensino de Arte, e o modo de olhá-la ou vê-la, é um recurso essencial para a criação de espaços de diálogos como para a construção de significados e significantes. Arte como criação não pode ser ensinada, mas suas relações sim e estas são fundamentais para o desenvolvimento humano. A professora buscava levar o olhar das crianças para passear pelos lugares e imagens que faziam parte do cotidiano das crianças. No entanto, a organização de suas propostas dava indícios de que ver não significa apenas ter o sentido da visão. É preciso saber “olhar” com propriedade todo o espaço que nos cerca. Assim a imagem e sua importância no ensino de Artes é um campo riquíssimo e pode ser explorado das mais diversas maneiras, incluindo aqui não somente as imagens clássicas da História da Arte, mas também as que fazem parte do contexto das crianças, suas produções e o espaço que as rodeia. Ao trabalhar com as imagens e com a Arte na educação, temos um paradoxo no contexto escolar de muitos professores, tendo de um lado aquilo que as crianças dizem “ao fazer arte” e de outro o que o professor acredita “ser arte” quando ensina. Assim diante dessa cena, nada pode ser minimizado ou deixado de lado quando se trata de ensino de Artes através de recursos imagéticos, todas as colocações são relevantes, tendo em vista que aprende-se por meio das diferenças, potencializando a própria experiência de olhar com propriedade as imagens do mundo visual que vivemos. No bojo deste contexto podemos perceber o quanto a educação infantil precisa aprender a dialogar com o campo da arte e levar este diálogo para a prática educativa com as crianças pequenas e bem pequenas, pois estamos inseridos numa sociedade predominantemente visual e a arte na educação infantil torna-se uma possibilidade de ampliar do olhar estético da criança.


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