Objetos, materiais e distribuição de mobiliário não são elementos passivos, mas interferem na estrutura cognitiva e afetiva dos alunos, assim como refletem valores, ideias e culturas na e da escola (Mognol, 2007: 118).
Outra característica do trabalho estava na possibilidade de permitir que as crianças pequenas experienciassem por meio de uma observação e interação atentas as imagens e visualidades que o espaço físico oferecia. Por diversas vezes a professora buscou chamar a atenção das crianças para seu entorno, produzindo mediações que permitissem às crianças perceber de maneira mais atenta detalhes das paisagens, texturas, cores, etc. Buscava-se planejar materiais e situações que garantissem o contato das crianças com diferentes cores e composições no espaço. No espaço do parque esta proposta ocorria em diferentes momentos: produziu-se um labirinto por meio de cangas coloridas organizadas em forma de corredores. Também foram usados barbantes coloridos como labirinto (atividade conhecida como “cama de gato”, onde as crianças ultrapassavam os barbantes sem tocá-los com seu corpo) e ofereciam outra conotação visual ao espaço e desafios aos olhares e corpos das crianças.
227 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1), pp. 224-233.
aprendizagens. Segundo Cunha (2007), as imagens adquirem um caráter pedagógico nas instituições educativas, embora as professoras não percebam as ações educativas desenvolvidas pelas diferentes imagens. Além disso, as significações vinculadas à imagem acontecem por meio da vinculação entre fantasia e realidade, relacionando também as memórias e as experiências que temos Vigotski apud Oliveira (1997). A imagem é carregada de significações e se torna um dos elementos fundamentais na educação, na Arte e no desenvolvimento humano. A criança, desde que nasce, depara-se com esse repertório de símbolos e significados construídos pelas gerações que a precederam e, participando das práticas culturais do seu grupo, reconstrói os significados do mundo físico, psicológico, social, estético e cultural. O mundo simbólico será conhecido e (res) significado no convívio e na experienciação do mundo que a cerca, principalmente por meio da brincadeira. Quando se escolhe uma imagem (porque escolher esta e não outra?) o ato de escolher, por si só, já é revelador. Torna-se um ato crítico e indica a visão daqueles que escolheram. Tendo esta compreensão é fácil concluir que não escolher também é uma escolha. Organizar esteticamente os espaços e as imagens que o compõem revela aqueles que fazem tais escolhas, ou seja, materializa a concepção que a professora possui a cerca dos fundamentos da educação infantil, tendo em vista que