1. Para situar o relato
A experiência educativa aconteceu com o grupo de 14 crianças de 1,5 até 3 anos, em 2010, no município de Florianópolis/SC/Brasil. Nesta instituição não há espaço físico específico para arte ou arte-educador. Este fato não pode servir de justificativa para um trabalho de má qualidade, visto que seria simplificar demais o processo educativo. Embora o trabalho do professor esteja submetido às condições objetivas oferecidas pelo governo, ele não pode limitar-se a ela. As propostas em arte precisam das condições mínimas de trabalho, como materiais e equipamentos adequados, porém, dada sua falta, propõe-se encontrar recursos alternativos que possam enriquecer o pouco oferecido pelo governo. O grupo contava com uma professora e uma auxiliar em cada período do dia, e cada uma delas escreveu um projeto, pautadas principalmente nos documentos oficiais que norteiam a educação infantil. O principal refere-se ao Art. 29º da LDBEN 9394/96, que define como objetivo desta etapa da educação básica “o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológico, intelectual e social, complementando ação da família e da comunidade.” 2. Alguns caminhos encontrados para o grupo
Na experiência a ser relatada, o principal objetivo do trabalho foi utilizar o cotidiano do grupo para ampliar as possibilidades de repertório estético, imagético e de conhecimento das crianças. Além disso, foi um trabalho realizado pela professora de sala e não por especialistas, o que é o mais comum em Florianópolis, embora longe do ideal. Essa experiência enfatiza a importância das imagens e
Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1), pp. 224-233.
Arte e Educação Infantil são dois campos em constante diálogo que se (des)encontram no interior das instituições educativas. Apesar de muito já ter sido dito a respeito desta relação, pouco se direciona ao trabalho com as crianças de 0 e 3 anos e menos ainda se efetiva como prática educativa. As mudanças no campo da Educação ocorrem de maneira lenta e até que as pesquisas realizadas alcancem o campo das políticas — e efetivamente se constituam como práticas nas instituições educativas — muitas pesquisas e estudos já se tornaram obsoletos. O presente relato trata de uma experiência educativa vivida numa instituição brasileira que buscou fazer um diálogo entre as artes visuais e o cotidiano da educação infantil. Mesmo considerando que o tempo na pesquisa e na política não costuma ter convergência adequada, foi delineado como objetivo principal do presente texto indicar alguns caminhos para que esse diálogo esteja cada vez mais presente na prática pedagógica com crianças pequenas.
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Introdução