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MATÉRIA-PRIMA 1

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Gaio, Marcela Wanderley (2013) “Imersões e inversões na arte: por uma prática além da apreciação.”

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Tecendo relações

A partir das duas vivências supracitadas, podemos dizer que os educandos participaram de processos de imersão e inversão. Imersão porque, como o próprio termo já diz, os meninos e meninas puderam mergulhar nas obras de arte no sentido de conhecê-las em sua forma, tema, artista, técnica e contexto. Ao mesmo tempo, tiveram a oportunidade de inverter seus significados, presenteando-nos com a sua diversidade de ideias e seu potencial crítico criativo, tantas vezes desprezado ou diminuído no cotidiano escolar. Pensando nessas práticas foi possível problematizar questões relativas à cultura jovem no processo educativo de formação e transformação, além de relembrar da satisfação e orgulho em suas realizações. Os relatos captados no ínterim das atividades proporcionaram um espécie de feedback sobre aquilo que foi desenvolvido com os estudantes. Estes trabalhos demonstram claramente a questão das subjetividades desses meninos e meninas, construídas ao longo do tempo e em permanente reconstrução a partir das relações humanas, e como elas são dinâmicas, interessantes e mutáveis. Essas subjetividades marcaram todo o processo e ficaram registradas em suas produções finais, sendo possível visualizar, pincipalmente, os aspectos sociais e culturais impressos em suas atitudes e inversão de sentidos. Refletindo sobre o viés identitário, Stuart Hall (2006) afirma que A cultura não é nada mais que a soma de diferentes sistemas de significação e diferentes formações discursivas aos quais a língua recorre a fim de dar significado às coisas e o próprio termo discurso refere-se a uma série de afirmações, em qualquer domínio, que fornece uma linguagem para se poder falar sobre uma assunto e uma forma particular de conhecimento (Hall, 2006: 29). Pensando neste viés, é possível falarmos de uma educação, não só em arte, que leve em consideração as culturas nas quais o público das escolas está inserido, proporcionando aos educadores uma forma de ver os meninos e meninas além das suas identidades de alunos, de percebê-los como autores críticos, autônomos e conscientes de que o espaço escolar deve ser de troca de saberes e relações. Conclusão

As experiências educativas relatadas no presente trabalho, entre as tantas outras que desenvolvo no campo artístico educacional, são de grande importância para meus estudos sobre cotidiano escolar, currículo e subjetividades. Reconhecer os educandos como construtores e intérpretes de um conhecimento, e não apenas como meros receptores, foi a inspiração na medida certa para continuar minhas pesquisas em educação e arte, no sentido emancipador e libertário do termo. As narrativas captadas no decorrer e ao final das atividades fundamentam


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