Grécia antiga-contemporânea
Esta experiência foi desenvolvida durante as aulas de artes plásticas sobre cultura grega. A escola estava envolvida num projeto que tratava dessa cultura e todas as disciplinas contribuiriam de alguma forma com este tema. Vários aspectos desta antiga civilização foram abordados no decorrer das aulas, como as questões políticas e filosóficas da época e sua rica mitologia, por exemplo. Ao perceber que um aluno respondia a todas as questões sobre os mitos gregos, intrigada, perguntei ao mesmo sobre sua fonte de conhecimento. Neste momento o jovem respondeu orgulhoso: “Sei dessas coisas porque tenho um jogo de videogame que fala dos deuses, semideuses e dos mortais dessa época!”. Constatei, a partir deste relato, que o melhor a fazer era pedir a este aluno que trouxesse, na aula seguinte, o aparelho e o jogo a fim de compartilhar com os colegas da turma a sua maneira de apreensão deste conteúdo. E assim, fazendo relações do conteúdo curricular a ser desenvolvido com os saberes dos educandos e seus cotidianos, acredito que o processo educativo teve seu potencial emancipatório ampliado, pois promoveu o respeito aos meninos e meninas e às suas formas de apreensão de conhecimentos, ao mesmo tempo em que valorizou suas experiências de vida. Segundo Edgar Morin (2011) a educação precisa desenvolver o pensamento complexo, fazendo com que o educando contextualize, relacione e religue os diversos saberes e situações da vida. O autor destaca a importância do desenvolvimento da compreensão da condição humana e do caráter multidimensional do conhecimento, lembrando que “o ser humano é, a um só tempo, físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico” e que “a condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino”. (Morin, 2011: 16) Ao tratarmos especificamente da arte grega e pensando em trazer à tona a questão das subjetividades dos educandos, foi proposto aos estudantes realizarem intervenções artísticas nas reproduções das esculturas milenares da Grécia. Nessa atividade cada um poderia escolher uma dentre as quatro esculturas gregas disponibilizadas em fotocópias (Figuras 4 e 5). Ao intervirem nas reproduções das esculturas gregas, o repertório imagético
219 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1), pp. 214-223.
artísticas: “Eu achei que transformando a pintura numa fotografia era como se eu estivesse transformando essa pintura em uma obra mais realista e com o tempo mais moderno, o que não substitui o verdadeiro talento de um pintor, apenas mostra uma maneira diferente de vê-la.”. Já Denise Mendes fala dessa etapa do trabalho como uma parte lúdica: “Quando modifiquei a obra me senti muito bem, como uma maneira de me expressar, me senti à vontade para fazer o que eu quisesse, para brincar com a obra.”.