216 Gaio, Marcela Wanderley (2013) “Imersões e inversões na arte: por uma prática além da apreciação.”
sentimentos sobre as imagens, indo além da sua simples apreciação. Foi possível incentivar um mergulho nessas obras consagradas de forma a desmistificar o conceito idealizado que muitos educandos trazem para a escola (ou aprendem nela?) de que a arte está no museu e nos centros culturais e que não é para todos. Questionamos em dialogicidade a existência de uma arte erudita, que mostra claramente a questão da hierarquia e do poder legitimador da elite. No campo específico em que atuo as visitas a estes espaços de arte, tão importantes para a ampliação do repertório imagético e da diversidade cultural, são esporádicos quando não são nulos. A ideia de trazer as obras consagradas que permeiam tais espaços para serem vivenciadas de outras maneiras no âmbito escolar fez com que percebamos uma infinidade de possibilidades de criações, expressões, apropriações e relações que os meninos e meninas são capazes de promover, a partir de uma escuta sensível e de respeito às suas ideias, impressões, opiniões e desejos, ou seja, das suas vivências estéticas cotidianas. Victorio (2012) nos faz refletir sobre esse cotidiano O cotidiano vivido e não apenas aventado, mostra o quanto sua realização está no corpo dos seus sujeitos e que é nos corpos individuais e coletivos que se dá o seu próprio acontecimento. Considerada a importância dos elos de relação, pois um corpo é um corpo a partir de outros corpos, na medida em que seu irredutível acontecimento se dá sempre em relação com outros corpos e a partir desses corpos coletivos se relaciona e se constróis o mundo. (Victorio Filho, 2012: 145)
Seguem as duas práticas escolares que este trabalho se propõe a analisar: Quadros vivos
Esta vivência começou com a observação e análise do clipe “70 Million” da banda franco-americana “Hold Your Horses”, que se apropria de obras de arte criando releituras com os próprios integrantes do grupo musical. Foi proposto aos alunos que escolhessem uma obra de arte, a partir de uma pesquisa feita nos livros de arte disponibilizados pela professora e da utilização da internet no laboratório de informática da escola, para fazerem uma releitura como a sugerida pelo clipe visto anteriormente. A ideia era trazer uma imagem bidimensional para o plano tridimensional, onde o suporte seria o próprio corpo. Foi um longo e produtivo processo, onde deveriam levar em consideração a confecção dos cenários, vestimentas e poses das personagens retratadas nas pinturas selecionadas. As releituras foram realizadas e registradas fotograficamente pelos próprios educandos, e ao final foi proposto por um deles utilizar o mesmo local e roupas para fazer uma nova releitura, com poses diferentes das originais. Essa interferência possibilitou a criação e atuação crítica dos estudantes perante aquelas