Desenvolvimento
As experiências educativas que serão descritas a seguir foram desenvolvidas com meninos e meninas do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professora Leocádia Torres, no Rio de Janeiro, durante as aulas de artes plásticas. Tais experiências tiveram como ponto de partida o posicionamento crítico e reflexivo sobre as reproduções das obras de arte selecionadas para conhecimento e análise dos grupos de estudantes a partir de discussões de diversos aspectos sobre as mesmas. Esse processo anterior ao trabalho prático propriamente dito foi de suma importância para que os educandos ampliassem seu repertório imagético e expressassem de maneira crítica suas opiniões e
215 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1), pp. 214-223.
A segunda experiência, chamada “Grécia antiga-contemporânea” é uma intervenção em fotocópias, em preto e branco, de esculturas gregas, que, a partir das apropriações dos estudantes, se ressignificam numa perspectiva contemporânea. As produções finais se traduzem numa série de intervenções visuais, a partir do repertório imagético que os meninos e meninas já possuem, de suas subjetividades e do tom inventivo que lhes é peculiar. Por repertório imagético podemos entender os ícones e imagens que estão constantemente em contato através das diversas mídias. Tais experiências, em todo seu processo de execução e avaliação critica, são discutidas no presente trabalho fazendo-nos refletir sobre as práticas escolares no ensino das artes visuais, apontando possíveis caminhos para uma educação que considere o outro, num espaço onde o diálogo e a lógica do pensamento do outro sejam respeitados em suas limitações, diferenças e potenciais. Mais que apreciações, os exercícios aqui relatados permitem uma imersão conceitual nas obas de arte selecionadas a priori, despertando os educandos para um contato mais íntimo com as produções e experimentações artísticas, para as possibilidades de criações e inversões de sentidos e posicionamentos a partir de intervenções práticas. O aluno se faz artista momentaneamente e recria tais imagens a partir de seus desejos, pontos de vista e imaginação. É possível entendermos que as práticas escolares em artes podem não só aproximar os estudantes das obras consagradas pela história, mas ressignificá-las numa perspectiva contemporânea. O processo de construção dos sujeitos no coletivo através de propostas lúdicas utilizadas nestes trabalhos se desenvolve na relação entre as imagens propostas e as subjetividades que lhes são próprias. O respeito às múltiplas identidades dos meninos e meninas que estão imersos em tais práticas também se faz presente quando reconhecemos, no caráter dialógico e sensível que os cotidianos apresentam, a diversidade e a potência desses sujeitos.