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MATÉRIA-PRIMA 1

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2. Segundo objetivo

O segundo objetivo tinha em vista centrar os alunos no desenho do elemento vegetal, dando a conhecer aos alunos que o desenho é realizado pelo sistema nervoso central e pelo cérebro dividido em hemisfério esquerdo, hemisfério direito e corpo caloso. Viver a experiencia do desenho de forma a entender estas 3 realidades. A realidade do hemisfério esquerdo (circunstâncias analíticas, verbais, calculadoras, sequenciais, simbólicas, lineares, objetivas). O hemisfério direito (ligado à imaginação, às recordações de coisas reais, à perceção como as coisas existem no espaço, como as partes se aliam para formar o todo, a perceção de relações proporcionais, relações espaciais, compreender metáforas, sonhar, criar novas combinações de ideias, usar a intuição, usar os gestos comunicativos, etc.). O corpo caloso unifica os dois lados. Estes estudos do cérebro foram desenvolvidos pelos trabalhos de R. Sperry, P. Mac Lean e N Herrmann, citados por Betty Edwards (1984) e Étienne Guillé (2008). Assim o objetivo era fazer o aluno ir direto ao Hemisfério direito através do desenho, afastando-se da parte racional, verbal e simbólica para utilização de uma maior dinâmica desse lado na utilização das relações proporcionais. Utilizando como suporte neste processo o método de Betty Edwards (1984), acabei por desenvolver com a turma uma série de 8 exercícios diferentes. No entanto, devido ao grau de dificuldade inicial com o objeto escolhido, devido ao desconhecimento de uma forma geral deste método por parte da maioria dos alunos, senti a necessidade de introduzir outros objetos de observação, não só para ter um diferente tipo de termo de comparação, mas para facilitar as aprendizagens ao método em questão. Mais uma vez me afastei do propósito inicial deste segundo objetivo e utilizei o “propósito flexível” utilizando também como elementos de observação partes do próprio corpo do aluno como as mãos e os pés. Desta forma foram introduzidos outros elementos de observação que não estavam previstos nem pensados inicialmente neste projeto (pois a unidade de trabalho não previa este desvio). O seguimento deste raciocínio foi elaborado depois dos dois primeiros exercícios e aproveitando a interrupção de uma aula para a outra.

201 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 198-206.

propósito flexível é oportuno pois ele baseia-se nas características decorrentes que aparecem dentro de um campo de relações. Ele não está rigidamente dependente dos objetivos definidos em primeiro plano, quando a oportunidade de melhores opções aparecem. O tipo de atitude que o propósito flexível requer, tem maior sucesso num ambiente de sala de aula como o que aconteceu aqui nesta situação. Desta forma a Educação também pode aprender com as artes (Eisner, 2008). Neste caso a aderência rígida a um plano não é uma necessidade, mas sim algo que se vai construindo.


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