1. Primeiro objetivo
O primeiro objetivo visa uma representação gráfica de análise, do (s) objeto (s) observado (planta em contexto arquitetónico), num suporte de papel. Aqui os alunos vão desenhar o modelo (planta em contexto arquitetónico), para um primeiro diagnóstico ou para pontos de referência de um segundo momento que visa um outro objetivo. Neste primeiro objetivo o professor informa de que será realizado um único exercício. Desenhar com um tempo máximo aproximado de 25 minutos sem qualquer indicação do professor (planta em contexto arquitetónico), numa linha de orientação realista. O professor comunica apenas que esta linha de orientação realista (neste caso o desenho realista), está relacionada com as capacidades de ver e desenhar ou representar objetos ou seres vivos do mundo real com um grande nível de identificação e igualdade à imagem observada. Entretanto no processo real com os alunos e sem ainda conhecer a turma, quando estava a colocar a planta em cima de um suporte para ser desenhada, apercebo-me de um silêncio que dava a entender de que os alunos estavam em apuros perante um objeto que talvez nunca tivesse sido desenhado. Foi nesta altura que entendi que devia dar mais liberdade de escolha ou de opção: quem estivesse mais à vontade poderia desenhar o que estava à sua volta e o contexto arquitetónico, mas quem se sentisse mais inseguro poderia desenhar apenas a planta. Penso que este processo não se deve tornar completamente rígido e desta forma o professor deve aproximar-se das motivações intrínsecas da turma. E assim foi, a observação
199 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 198-206.
prática das artes visuais. Esses três objetivos são em parte inspirados no Programa de Desenho A, do Departamento do Ensino Secundário do Ministério da Educação, relativo à sugestão da unidade de trabalho da disciplina de Desenho do 11º ano: planta em contexto arquitetónico. Esta unidade pressupõe representar uma planta ou árvore (de interior ou exterior) inserida num contexto arquitetónico, verificar a correção da perspetiva e anotar o contributo do elemento vegetal na perceção da escala da arquitetura. Para além disso implica também um aprofundamento e domínio correto da aplicação de conteúdos do programa (Ramos, Queiroz, Barros & Reis, 2002). Sem sair do contexto programático, procurei fazer a ligação do desenho numa linha de orientação realista do elemento vegetal com o conhecimento que existe da dinâmica dual do sistema nervoso / cérebro, dividido em hemisfério esquerdo, hemisfério direito e corpo caloso (Edwards, 1984). Procurei que os alunos vivenciassem algumas experiências do desenho de forma a iniciar uma primeira abordagem ao entendimento destes processos. Esta ligação do realismo com a ação no desenho e com a informação de como isso se processa ao nível sistema nervoso / cérebro poderá ser uma mais-valia para o aluno.