188 Silva, Leandro de Souza (2013) “O ensino contemporâneo das Artes Visuais frente aos fluxos polissêmicos da imagem.”
representação visual ou identidade tradicional, mas apresenta-se fotograficamente, cinematograficamente, televisivamente, impressa, digitalizada... Numa perspectiva multilinguística, interdisciplinar. Torna-se intertextual e polissêmica, provocando literacidade não estática ou restrita. Olhar não é uma ação indefesa. Cada ser compreende e processa as informações considerando sua postura crítica e modos de aproximar o conhecimento adquirido de sua própria realidade. As imagens, como objetos de estudo das Artes Visuais, adquirem daqui por diante formas e cores dispostas e organizadas por mãos que se aventuraram neste universo. São fruto de longas conversas, diálogos travados. Mesmo diante da resistência inicial, por acreditarem que não se trata de um assunto que “reprova” ao final do período letivo, pré-conceitos são derrubados encontro após encontro, enquanto se discutem questões que tenho consciência de que não possuem uma única resposta, nem mesmo certa ou errada. O simples gesto de escrever no quadro branco cada colocação, fomentadas por desafios como conceituar arte, onde está presente no dia-a-dia, quais suas possíveis linguagens, despertavam nos estudantes ali assentados, enfileirados, esperando pela “aula” e pela “matéria que vai cair na prova”, uma atenção especial e o senso de aproximação, conquistados por uma dinâmica, que me parece incomum no seu cotidiano escolar. Afinal, levá-los a pensar nas razões pelas quais usam este ou aquele corte de cabelo, com determinada cor, questionar porque escolheram o caderno com tal estampa e por que gostam de determinada música ou som, e o que pode vir a significar um logotipo que veem todos os dias na TV, tem despertado nos encontros uma atenção que também é nova para mim. Falo de diversas turmas, alunos de diferentes faixas etárias. Realidades e experiências distintas da / na Escola Estadual e Federal, lecionando nos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. O uso de imagens na sala de aula — considerando a universalidade dessa presença — evidencia e legitima a matéria-prima do processo de compreensão dos elementos da visualidade que compõem o mundo, bem como sua participação na construção das identidades, desvelando percursos novos para o entendimento da própria vida, do passado, presente e futuro, e abusar desse uso possibilita um campo ainda mais ampliado de ressignificações do ser. Incansáveis. Ininterruptas. Constantes. Prazerosas. Nos enfrentamentos desafiadores do espaço educacional, não busco atualizar práticas do passado, mas ressituar concepções, repensando a partir de mim, a percepção que tenho do meu redor e como/quem sou diante dele. São caminhos que levam a diferentes pontos de vista, levando a uma nova tomada de consciência de si mesmo e do mundo. A proposta de trabalho visa coletar diariamente informações e dados imagéticos no cotidiano escolar, utilizando proposições visuais concluídas pelos alunos de Arte como ponto de partida e confrontar produção e propostas curriculares de instituições estaduais e federais.