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MATÉRIA-PRIMA 1

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3. A imagem no mundo contemporâneo

As imagens agem como um poderoso elemento articulador das relações sociais, numa rede aguda de fluxos, na medida em que fortalece e marca pertencimentos e trânsitos sociais. Sua proliferação é tão intensa que estudá-las dispõe um campo ampliado para discussões e interrelações a serem pensadas e construídas, alargando os limites de análise para o contexto social, educacional, religioso etc., no sentido em que seus autores resignificam o mundo com uma gramática visual, embora complexa, legível e comunicativa no seu espaçotempo. O objeto de estudo aqui não se restringe aos limites do mundo das Artes Visuais e das narrativas dominantes, mas abrange a publicidade e suas campanhas, moda, sites e blogs, programas de TV, cinema, jornais e revistas, e inclusive, o material que aluno traz para a sala, ou seja, tanto o repertório estético do professor quanto do aluno. A educação escolar sofre influência do contexto social no qual se encontra. No Ocidente, por exemplo, a primeira narrativa que configura suas ações, emanava do Iluminismo, projetando a cidadania, após a Segunda Guerra Mundial, soma-se à narrativa anterior às ideias de democracia e liberdade, chegando ao discurso atual, de mercado no qual o valor simbólico cede espaço ao desejo de consumo, ao prazer em ter, e pensando em artes visuais, os usos da imagem servem para incutir ideologias, saturando a visão de ideais de beleza, apelando para os sentidos e legitimando valores e crenças. As convencionais também veiculam seus saberes, mas na contemporaneidade isto ocorre de forma ainda mais aguda. Embora tais narrativas circulem na atualidade, é importante ressaltar que elas não respondem às necessidades da educação, visto que o mundo em que vivemos é mutável e incerto. Narrativas dominantes não alcançam a raiz das necessidades dos estudantes (Hernandez, 2007: 12). A experiência visual admite diversas interpretações, transita entre os campos de comunicação, mídia, cultura e arte, não assumindo mais essa ou aquela

187 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 182-189.

leitura, podemos citar o alfabetismo visual proposta por Donis Dondis (1997), analisando a sintaxe visual da obra de modo a apreender os elementos básicos da visualidade: ponto, linha, cor, forma e composição. Assim, a leitura das imagens não é constante nem fixa. Embora em muitos momentos mantenha certa estabilidade semiótica, é refeita ao longo do tempo e dos espaços pelos quais transita sem que se percam seus sentidos na estruturação e articulação social na qual se deram sua criação e leitura. Assim como os textos escriturísticos, as imagens também são da autoria de seus leitores e/ou fruidores, aguardando serem lidas, num fluxo intenso de interpretações, pulsando conforme o repertório de quem as vê, produz, da sua abrangência e suas relações com o cotidiano no qual foram criadas e se destinam.


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