1. Os sentidos da educação e nesta a participação do ensino das Artes Visuais
O Ensino da Arte hoje compõe a história e a vida dos meus alunos, e aguçando percepções, intermedio possibilidades e aprendo sobre a fluidez das imagens que tanto prezo. Como professor, também adquiro um novo olhar e uma nova relação com os imagéticos que se apresentam a mim nas produções dos estudantes. Refaço-me, aprendo e reaprendo a cada linha escrita aqui, compreendendo que o trabalho que escolhi fazer é desafiador, mas proporciona prazer e aprendizados diários. Assim, busco conceituar as imagens do/no mundo contemporâneo como rede dinâmica e aguda de fluxos imagéticos, para além do mundo da arte. Sobre o ensino das artes visuais hoje, pode-se ressaltar, dentre tantos outros aspectos, sua inevitável interação às outras áreas de conhecimento, de modo interdisciplinar, multidisciplinar e intercultural, relacionando os saberes e diálogos entre arte e educação e, consequentemente, com a própria vida. Uma imagem pode admitir uma diversidade de sentidos e significados, quando consideramos suas qualidades, contextos e repertórios de quem a produziu e de quem a vê, e desta polissemia são estabelecidos diálogos entre espectador, artista e obra, num fluxo contínuo e instigante, revelando a abrangência e potência simbólica do universo imagético. Considerando a fluidez das imagens no cotidiano, perpassando por tantas áreas de conhecimento da sociedade, estabelecendo olhares sobre o mundo, e por isso, o Ensino da Arte é constantemente desafiado quanto ao seu papel frente a estas mudanças. A educação articula saber e viver, e de forma dinâmica e significativa, conduz à compreensão do mundo em seu contexto. Diante das demandas da contemporaneidade, faz-se necessário refletir constantemente sobre as práticas educativas em todas as áreas. Ainda hoje — e sempre —, nos deparamos com abordagens dissonantes e vazias, práticas apressadas, quase que automáticas. Falo dos processos que levam a uma produção visual gratuita em sala de aula. Daquela que objetiva “ocupar o tempo”. E só. Educar o olhar faz sentido quando torna possível uma interação clara — e
183 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 182-189.
(Hernandez, 2007: 25). A utilização de imagens neste trabalho é fundamental tanto quanto os textos e neste processo compreendidas como objetos da cultura. E os relatos que compartilho são fruto das minhas observações enquanto professor substituto de Artes Visuais no Colégio Pedro II — Unidade São Cristóvão I (2009-2010), durante os anos de 2009 e 2010 e também na Escola Estadual Prof.ª Sarah Faria Braz, em Duque de Caxias, onde estudei e lecionei Arte, disciplina atualmente considerada como obrigatória, mas que não compunha o currículo quando cursei o Ensino Fundamental. Escolas de realidades distintas, desde a localização até as iniciativas e questões estruturais.