180 Moreno, Sónia Patrícia Afonso (2013) “Experimentação e confrontação do desenho pelo sujeito-aluno.”
Ao longo de várias folhas, o sujeito-aluno constrói um processo de trabalho e experimentação que, necessariamente, acaba por reflectir a sua própria expressividade, manifestada na diferença entre a sua visão e a obra original. Após várias experimentações das suas representações, é pedido ao sujeito-aluno que faça uma nova composição, agora numa folha A3. Nesta fase, o sujeito-aluno é confrontado com uma folha de trabalho de maior dimensão, implicando-o a questionar sobre as relações de escala e proporção. Também é introduzida uma nova técnica, a técnica de guache, e mistura de cor, tendo como objetivo melhorar a compreensão da síntese subtrativa (cor-pigmentos), e de aplicar diferentes harmonias de cor. Nesta experiência, foi alertado aos alunos distinguirem a forma e fundo, para perceberem a importância da relação entre estes dois elementos numa composição. Entre várias dinâmicas que aconteceram na sala de aula, desde a utilização de várias técnicas, de elementos riscadores à mistura de guache, cada sujeito-aluno partiu de uma imagem e, ao longo deste caminho de confrontações que foram surgindo, acabou noutra. O que se apresenta nesta comunicação são imagens finais de alguns trabalhos, estando subjacente um processo de experimentação e busca permanente das representações de dentro de si. Conclusão
Na educação artística há vários desafios éticos que se colocam, pois “se o homem fosse ou tivesse de ser esta ou aquela substância, este ou aquele destino, não existiria nenhuma experiência ética possível — haveria apenas deveres a realizar.” (Agamben, 1993: 38). Esta unidade didática fez sentido na medida em que tenta desenvolver no aluno o sujeito que olha, sente, questiona e duvida, intui, pensa e compreende. Pretendeu-se, sobretudo, colocar o sujeito-aluno, assim como as suas subjetividades, no centro da construção das suas próprias aprendizagens, com o intuito de não salientar o “buen ojo” mas “el ojo curioso” (Hernandez, 2007: 85). Assim, exigindo dos aluno uma inquietude e um olho crítico, conseguimos provocar-lhes novos raciocínios, de modo a relacionar-se melhor com eles próprios e com os outros, “se trata de ayudar a los alumnos (y a nosotros mismos) ‘a pensar acerca de su manera de visualizar y, (...) de las maneras como — lo que vemos’ (...) Con la finalidad de proyectar con los otros y para otros, las experiencias — descubrimientos, relaciones, inferências — que cada cual ha realizado” (Hernandez, 2007: 85). Nesta coerência, não interessou evidenciar o adestramento da mão à procura da autenticidade e exatidão da realidade, mas uma mão que desenha e se