178 Moreno, Sónia Patrícia Afonso (2013) “Experimentação e confrontação do desenho pelo sujeito-aluno.”
Aquando da comparação entre a representação no papel e a realidade, constataram diferenças, notaram pormenores que nunca tinha reparado anteriormente, o mesmo se verificou quando estabeleceram comparações com os colegas, levando-os a descobrir novas e diferentes interpretações. O exercício, para além de permitir a capacidade de representação e de expressão através da exploração plástica da linha e da textura, como elementos básicos da linguagem visual, também permitiu entender o desenho como um processo de observação e de registo do “eu” individualizado. Alguns alunos quiseram experimentar o desenho-mancha para produzir diferentes sombras, proporcionando assim o sentido de desenho volumétrico. Para tal, utilizaram vários lápis com diferentes durezas. O exercício proporcionou também entender o conceito de relações de proporção (Figuras 1 a 4). De referir, que este exercício foi precedido pela explanação da fotografia “diálogo entre mãos” da artista plástica Lygia Clark, com o intuito de introduzir nos alunos o contato visual com a arte contemporânea. 2.2 segundo exercício
No segundo exercício foi apresentado uma seleção de pinturas de autor em que foi pedido ao sujeito-aluno a escolha de uma obra para, posteriormente, desenvolver uma composição plástica através da exploração da teoria da cor. As pinturas, apresentadas sob a forma de fotocópia A4, de autores como Amadeo Sousa Cardoso, Van Gogh, Paul Klee, Edvard Munch, entre outros. Alguns alunos trouxeram livremente uma obra de autor para a aula. Esta proposta teve o intuito de desconstruir a obra do autor, dando expressão às emoções, interpretações e reflexões do sujeito-aluno. Entende-se, neste exercício, o sujeito-aluno não no sentido da autoria (ser o autor) ou da originalidade, mas de um sujeito no centro das experiências de aprendizagem. Desta forma, trata-se de um exercício de imaginar ou de exteriorizar a sua subjetividade, um exercício de representações de dentro de si. É, também, sugerido ao aluno que se afaste do efeito de mimetismo ou da reprodução, provocando nele um campo para experimentar novos processos criativos e de expressão, e a desafiá-lo: “O que vês? o que pensas disso? o que fazes com isso?” (Rancière, 2002: 35). O confronto colocado no sujeito-aluno, primeiramente, consistiu na hesitação da escolha da obra. Após essa escolha, o aluno desenvolveu vários estudos de cor, forma e composição, relacionadas com a obra inicial. Nesses estudos utilizaram-se folhas de dimensão A5. O confronto, nesta fase, fixou-se no que iriam desenhar e que tipo de riscadores iriam utilizar. Também, foi pedido ao sujeito-aluno que explorasse a teoria cor através da técnica de lápis de cor.