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MATÉRIA-PRIMA 1

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176 Moreno, Sónia Patrícia Afonso (2013) “Experimentação e confrontação do desenho pelo sujeito-aluno.”

Este ensaio tem como objectivo principal refletir sobre a experimentação e a confrontação do desenhar pelo sujeito-aluno. Sendo o desenho um meio de promover a aprendizagem e o desenvolvimento de competências técnicas e de representação, pretende-se analisá-lo como uma ferramenta de construção e desconstrução pelo sujeito-aluno. Assim, aborda-se o desenho num sistema de fora para dentro e de dentro para fora. O sistema de fora para dentro, pretende denotar uma análise de si próprio aquando da observação direta da figura/ forma que se quer representar, num processo de interiorização e de reflexão relativamente ao que o rodeia. No sistema de dentro para fora, pretende-se exteriorizar as reflexões e interpretações do sujeito-aluno, aquando do entendimento do que observa, num processo de expressão das subjetividades. Nesta multiplicidade é intrínseca a subjectividade de cada aluno. Este estudo incide sobre dois exercícios diferentes. 2.1 primeiro exercício

O primeiro exercício aborda um desenho centrado na observação direta de si — as nossas mãos (figura humana). Aqui, pretende-se que o aluno construa a partir do desenho as suas próprias conclusões sobre o que observa de um fragmento de si mesmo. É um estar em permanente relação de diálogo de si (exterior) para consigo próprio (interior de si). Desta forma, proporciona-se ao sujeito-aluno a construção de um exercício analítico, de contínua observação, e de interpretação através da visão e do tato. Sendo, aparentemente, um exercício simples, os alunos são confrontados com uma tomada de consciência e descoberta da complexidade, aquando da experimentação pelo desenho, de uma forma concreta. Conta-me a forma de cada letra como descreverias as formas de um objeto ou lugar desconhecido. Não digas que não podes. Tu sabes ver, tu sabes falar, tu sabes mostrar, tu podes te lembrar. O que mais é preciso? (...) Não és um ser pensante? Ou acreditas ser apenas corpo? (...) O aluno deve ver tudo por ele mesmo, comparar incessantemente (...) (Rancière, 2002: 34/35).

O objetivo desta proposta colocou a possibilidade da auto-confrontação, da estranheza perante a sua própria representação, e em quase todos eles surgiram reflexões espontâneas, verbalizando algumas das reações: A minha mão não é assim como a desenhei, não é tão espalmada! A minha mão está cheia de linhas, mas também tem pontos! A minha mão é amarela! As minhas unhas à frente são quadradas! A minha mão é áspera! Antes do exercício, o sujeito-aluno, porventura, via as suas mãos como uma coisa tipificada, não tendo apercebido a singularidade desse fragmento de si.


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