2. Unidade didática
A unidade didática que se apresenta pretende ser uma iniciativa de escapar às forças que nos submetem e limitam com a organização dessas subjetividades convencionais que contrariam a capacidade de auto-construção do sujeito. Assim, com estas disposições pretende-se revisitar os processos didáticos, analisá-los com distanciamento e projetar novas interpretações. Propõe-se a reflexão sobre o desenvolvimento da unidade didática realizada com alunos dos 7º e 8º anos, em educação visual. Esta tem o intuito de ir ao encontro do sujeito-aluno, suscitando as suas próprias subjetividades. Estes exercícios foram desenvolvidos na tentativa de afastar o colorir, o reproduzir, o fazer e o realizar, que legitimam um já dito, deixando-se cair numa teia de homogeneizações, que nada acrescentam ao processo de aprendizagem, nem desenvolvem lógicas de pensamento que permitam a construção do sujeito. Em vez de o fazer e o realizar, propõe-se o experimentar e o explorar.
175 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 173-181.
do “ensino como manejo psicológico” (Popkewitz, 2001: 75), uma maquinação que tende à “objectivação da alma” (Foucault, 2009: 151) do sujeito, opondo-se à auto-construção deste, com a sua própria singularidade. Esta significação, logo à partida, causa-me alguma estranheza, pois considero-a como um plano unificador dos sujeitos, como se os fabricassem todos pelas mesmas subjetividades e sem capacidade, pelo sujeito-aluno, de discutir e desenvolver uma reflexão e experiência crítica dos conteúdos. Parece-me importante referir que é fundamental, no processo de aprendizagem, darmos ao sujeito-aluno um leque de instrumentos que impliquem a utilização do raciocínio — pensar, duvidar, questionar e compreender, de o interpelar com novos horizontes, e, como Jorge Ramos do Ó nos transmite, “(...) temos que valorizar menos aquilo que o aluno consegue reproduzir e mais aquilo que ele consegue construir. E a compreensão aguda dos processos construtivos é para mim o mais importante” (2007: 116). Num sentido mais lato, não acho que seja um trabalho utópico, antes incansável e imprescindível, de estarmos em contínua espreita, de percebermos as configurações e evoluções caraterísticas desse discurso de verdades fabricadas, para, num sentido mais estreito e concreto da realidade escolar, estarmos atentos às coisas singulares. Assim, Corazza e Tadeu também nos mencionam, “Exaltar, sob qualquer circunstância, a diferença. (...) Defender os direitos da variação, da diferenciação, da singularidade e da multiplicidade, diante das reivindicações da semelhança, da equivalência, da analogia e da unicidade.” (2003: 7)