174 Moreno, Sónia Patrícia Afonso (2013) “Experimentação e confrontação do desenho pelo sujeito-aluno.”
interagem independentemente das diferenças ideológicas ou culturais. Cada ser individual encerra, em si mesmo, fundamentos, éticas, convenções e padrões, um mundo próprio adveniente do meio onde cresceu, onde foi educado, onde cada um pensa, cresce e se desenvolve — levando os professores “apelidados de cientistas sociais da prática” a serem “alertados para a importância das diferenças e identidades culturais” (Stoer, 1992: 61). Deste modo, a escola tem um papel relevante na educação e formação das novas gerações, e cada uma das gerações traz consigo novas responsabilidades e desafios. O sentido ético que o professor deve ter é o de construir alunos pensadores com a sua própria singularidade, e para isso, é necessário enfatizar hábitos de questionar, indagar, duvidar e refletir criticamente, principalmente porque “(...) vivimos en un mundo en el que las imágenes nos bombardean” (Hernandez, 2007: 27), onde a internet produz realidades múltiplas e novas tecnologias nos controlam. Com este entendimento, associo a escola a um lugar onde o sentido da ação pedagógica tenha fundamento na construção inteletual do sujeito-aluno, com o intuito de lhe permitir chegar e compreender, significativamente, as suas próprias conclusões, de forma a não receber “de forma pasiva y sin capacidad de acción y resistência a este bombardeo” (Hernandez, 2007: 27). Desta forma, interessa afastar todas as ações que sejam combinadas com uma fusão de um saber pré-fabricado, de imposições e de subjetividades que se encontram exteriores aos sujeitos. A descrição desta prática é entendida, a meu ver, como uma ação imperativa, que fixa uma lógica de reprodução e/ou reescrita. Questionar as estruturas de poder? Este é outro desafio que se coloca, na contemporaneidade, aos professores. Não basta entender unicamente o local onde o professor estabelece influência direta com os alunos. Se desejamos modificar o que nos cerca, o desafio passa, também, pela análise e compreensão das forças de poder que estão fora desses limites, refletir e questionar sobre as verdades que nos tentam impregnar. A escola define e impõe os modelos de aprendizagem e a construção das formas de pensamento a seguir, constatando-se que o “espírito e corpo são simultaneamente apresentados como realidades plásticas e moldáveis — espécie de página em branco onde a instituição pode inscrever livremente tudo”, onde o sujeito-aluno se encontra “seja sob a forma oral ou escrita, (...) vinculado ao domínio raciocinado das matérias curriculares” (Ramos do Ó, 2001: 36). Esta disposição descrita, de prevalecer um conjunto de racionalidades que organizam as matérias escolares e as aprendizagens, ou seja, de governar o sujeito-aluno num determinado tipo de conduta ou forma mecânica de agir, coloca-nos perante uma maquinação do “ensino como manejo da personalidade” e