170 Veríssimo, Laura Maria de Sá Miranda Bártolo (2013) “Uma proposta de abordagem em Educação Visual em contextos de transitoriedade.”
em conjunto com os alunos da seguinte forma: começo por desenhar no quadro os grafismos mais comuns nos desenhos estereotipados e que estejam representados nos desenhos dos alunos da turma, sem verbalizar o que se pretende registar no quadro, desenho (por exemplo) um sol e uma casa (Figura 1) Os alunos acompanham o processo e é-lhes solicitado que colaborem no desenvolvimento do desenho. Espontaneamente acrescentam: — Faltam as nuvens! Uma flor! Um pássaro! Uma árvore!... (Figura 2) O desenho é então concluído, depois de se perguntar aos alunos se não falta mais nenhum elemento na representação. A ideia deste processo é que os alunos exponham os elementos que para si devem estar presentes na composição que se está a elaborar e que, então, se chegue a um conjunto coletivo de elementos que estavam presentes nos desenhos individuais dos alunos da turma. Quando o desenho está terminado indico aos alunos que devem elaborar um desenho pessoal e individual, no qual não conste nenhum dos elementos representados. (fig.3) 1.4 O desenho com orientações
Torna-se possível perceber, através das reações dos alunos perante estas solicitação se estão ou não habituados a responder às propostas de trabalho de forma individualizada; se identificam os estereótipos usados na representação como enriquecedores ou empobrecedores dos projetos; se estão à vontade para fazer escolhas e opções ponderadas e pessoais, etc. A postura do professor deve ser sensível a estas reações e adequada às diferentes possibilidades e imprevisibilidades. Se, por exemplo, os alunos revelarem uma postura confortável e confiante no uso dos estereótipos enquanto elementos de representação pode ser mais positivo partir daí para uma desconstrução ou reconstrução progressiva e compreendida desse hábito (Ausubel, Novak, & Hanesian, 1980), do que intervir com uma rutura, provocando um constrangimento abrupto, para o aluno; que se sentirá obviamente, mais desorientado. Quando algum dos alunos com quem desenvolvi esta proposta de trabalho se mostrou bloqueado por não poder desenhar nenhum dos elementos que estavam registados no quadro procurei intervir junto de si e do seu trabalho para que não se sentisse constrangido com a situação. Muitas vezes, para que o aluno fique confortável com a proposta e desenhe, proponho imediatamente que considere a possibilidade de desenhar aqueles elementos que estão no quadro, vendo-os como conceitos e não como grafismos estereotipados e sugiro que os repense com uma perspetiva mais abrangente, partindo daí para uma inovação e um registo único e pessoal.