O currículo que dá sentido à escola contemporânea (…) não é mais que um imenso e complexo programa de reprodução em série de pinóquios replicantes — mulheres e homens cada vez menos autores de si próprios e dos seus destinos… (Pacheco, 2000).
E acrescenta, em relação aos responsáveis pelos currículos: Eles não respeitam, nem desejam acarinhar e fomentar a diversidade (de aptidões, expectativas e de sonhos, de saberes e de sentimentos, de capacidades e de competências, de atitudes e comportamentos); eles querem, antes, apagar e abolir a diversidade (a identidade, a autoria), para, através da escola impor a indiferenciação universal (Pacheco, 2000).
Estas presenças, mudanças e ausências de um professor, coexistem com a permanência no lugar de aluno por parte de cada um dos alunos da disciplina. Os processos de ensino aprendizagem em Educação Visual estão maioritariamente centrados no professor que é um indivíduo único, com metodologias e processos de ensino únicos e que muitas vezes se impõem aos alunos. Neste breve percurso pessoal que tenho desenvolvido, vejo muitas vezes alunos sendo alvo de repercussões negativas desnecessárias nestes contextos de transitoriedade. Está fora do alcance de qualquer docente as inúmeras demoras burocráticas provenientes dos processos de contratação, no entanto, nesta reflexão, assume-se à partida que que o que importa frisar são os constrangimentos evitáveis e que estão alcance da ação dos intervenientes, como é o caso de um professor substituto. Não se pretende aqui enumerar um conjunto de características ou prescrever
165 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 164-172.
o professor substituto pode ter, mesmo nestas circunstâncias. Sugere-se uma metodologia específica para o caso da E.V. que, à luz da minha experiência pessoal, se tem revelado pertinente e eficaz neste tipo de situações. Por vezes basta um pequeno momento para que se desenvolvam novas aprendizagens e com este exercício pretende-se contaminar o aluno com uma postura diferente (se se aplicar) perante qualquer proposta de trabalho que surja com o professor substituto e com o professor efetivo. Sempre que propus aos alunos que realizassem este trabalho, sejam do 7º, 8º ou 9º ano, as respostas foram diversificadas, mas na sua maioria revelaram uma grande falta de contacto com a diversidade e subjetividade de cada desenho dentro da sala de aula e enquanto resposta a exercícios de uma disciplina. Nos percursos com que me tenho deparado, ao fazer substituições no grupo 600, tenho-me visto perante uma realidade na escola semelhante àquela que descreve Pacheco (2000) onde todos parecem contaminados por uma qualquer vontade de homogeneização e estereotipificação em relação à Educação Visual: