162 Bonci, Estela Maria Oliveira & Martins, Mirian Celeste Ferreira Dias (2013) ““Ele está piscando!” Olhar e ouvir crianças como matéria-prima do professor”
auxiliando a representação e compreensão da ideia que pretendem transmitir. Observando as produções das crianças (Figura 9), João Vitor desenha o corpo que movimenta as mãos, subindo e descendo, da mesma forma que Mariana, representa o corpo fazendo o polichinelo, movimentando os braços. Em todos os desenhos notamos que os movimentos são identificados pelos traços próximos às mãos e aos braços, imprimindo ao desenho a ideia de ação, elemento presente nas histórias em quadrinhos, representando a continuidade dos movimentos. Percebemos nos traços das crianças a influência da cultura, onde interagem e se apropriam de elementos do contexto social para a construção de suas produções. Atentos aos elementos presentes nos desenhos das crianças, os detalhes são importantes para transmitir seus olhares, suas percepções sobre a ação proposta (Figura 10). O corpo que pula corda não é representado apenas com o elemento “corda”, mas sim com o movimento dos cabelos, os pés que se elevam do chão durante o saltar a corda e os braços e pernas que em um movimento sincronizado pulam o obstáculo que encontram. A percepção das crianças recorre a diferentes elementos para complementar sua ideia, o seu olhar-pensante sobre o corpo em movimento. Objetos presentes no cotidiano das crianças são retratados em suas produções. O rádio que transmite a música preferida e que desperta o corpo para dançar, ou o trampolim que impulsiona o corpo a saltar, arteiro, brincante. Podemos ampliar a percepção das crianças sobre o corpo quando observamos, por exemplo, a representação do cotovelo e do joelho no corpo. Percebemos que a “quebra” está presente em poucos desenhos. Este poderia ser um desafio na compreensão da criança sobre o corpo em movimento. Que experiências poderiam ter sido vivenciadas para despertar hipóteses sobre esse corpo? Cada elemento utilizado pelas crianças auxilia a construção da fantasia infantil, através dos elementos do mundo real. Segundo Vygotsky (2009), a imaginação pode criar diferentes combinações, misturando primeiro elementos reais para em seguida acrescentar imagens de fantasia. Quanto mais rica for a experiência das crianças, maior será o material à disposição da imaginação infantil. Trilhando caminhos, despertando olhares
É preciso considerar que “o desenho é a manifestação da uma necessidade vital da criança: agir sobre o mundo que a cerca, intercambiar, comunicar” (Derdyk, 2010: 48). Sendo assim, precisa ser valorizado na escola, a qual precisa oferecer meios para o seu desenvolvimento. Esse agir sobre o mundo nos evoca a termos um olhar mais detalhado sobre as produções das crianças. Neste sentido é também importante propor às