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MATÉRIA-PRIMA 1

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—“Posso desenhar a lápis e depois pintar?” — “Por quê?”, perguntamos. — “Tenho medo de errar com a tinta”. — “Não se preocupe, você vai conseguir. Pode usar o lápis,

mas tente com o pincel. Você vai conseguir, ok?”

Iniciando o desenho com o lápis grafite, Luccas percebe que seus colegas desenham com o pincel. Deixa o lápis grafite e a borracha ao lado e começa a desenhar com o pincel e a tinta guache, ainda inseguro em realizar seu desenho, mas certo de enfrentar essa insegurança. É importante estarmos atentos ao processo de criação da criança e estarmos prontos para acompanhar seu desenvolvimento. Conforme as crianças crescem, devido às exigências do meio e da própria escola, as crianças passam a desenhar seguindo padrões há tempos exercitados nas “atividades”, como por exemplo, a árvore de tronco marrom e folhas verdes, o sol desenhado no canto da folha, a nuvem azul, o “homem palito”, os pássaros de dois traços (Figura 5). Em outros momentos, seguem ao comando: “Pinte dentro do desenho”, recebendo uma imagem impressa a ser pintada. Em todos os desenhos o corpo que se movimenta está presente em um cenário, um espaço (Figura 6) composto por elementos e traços semelhantes, organizados na mesma proporção. Será que estamos formatando o desenho infantil? Seriam suas produções reproduções de modelos? O que distingue estas produções de outras que são inventivas? Qual nosso papel como professores? Vemos e ouvimos as crianças em produção para perceber seus processos? Percebemos que a escolarização da criança pode propiciar o esquecimento, o abrandamento da imaginação infantil durante o desenvolvimento das suas capacidades cognitivas e criativas, mas proposições adequadas e significativas podem despertá-las também.

159 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 153-163.

repetindo-o para fora do corpo, sinalizando. Indica também que todo o corpo se movimenta. Olhos que interagem com o desenho, criando, despertando nosso olhar. Aqui a criança cria para inventar uma resposta ao desafio proposto. Mas, será sempre assim? Através do desenho as crianças podem dizer tudo o que pensam e ao mesmo tempo podem não dizer nada. Enquanto desenham, as crianças estariam presas a estéticas ou padrões culturalmente pré-estabelecidos? Será que o ato de desenhar das crianças ocorre livre de interferências, onde simplesmente desenham e dão asas à sua imaginação? Luccas, 10 anos, demorou a iniciar seu desenho do corpo em movimento (Figura 4).


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