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MATÉRIA-PRIMA 1

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156 Bonci, Estela Maria Oliveira & Martins, Mirian Celeste Ferreira Dias (2013) ““Ele está piscando!” Olhar e ouvir crianças como matéria-prima do professor”

foi verbalizada por todos: “Em movimento!?”. Procuramos com a proposta ir além da representação da figura humana, provocando o desenho das crianças para além dos esquemas habituais. Durante a intervenção, os alunos socializaram os materiais, ideias e fizeram muitos comentários. Hipóteses e estratégias foram levantadas pelas crianças durante a intervenção, onde todos participaram e contribuíram com as produções uns dos outros. “Olha só professora! Veja como está cansado!!!”, diz Julia Maia mostrando seu desenho (Figura 1). “Parece que está subindo um morro”, comenta Gabriel. Percebemos no desenho de Julia Maia a presença da figura-fundo, mas é preciso termos atenção ao um detalhe singelo do desenho: a profundidade. A paisagem desenhada nos apresenta a ideia de profundidade por meio do rio que se origina no plano distante, por entre as árvores em diferentes planos, relacionadas à imagem principal do desenho, a figura humana. A figura humana é desenhada de perfil, onde rosto braços e pernas são vistos seguindo o movimento de caminhar, subir o morro como nos diz a criança. Elas acrescentam nas produções as suas percepções de movimento ao corpo que desenham. Arnheim (2005: 180) nos descreve a construção da figura humana pela criança, onde os olhos e mãos fazem parte de um todo nos apresentando um pequeno recorte de toda complexidade que envolve a ação do desenhar. Com o tempo, contudo, a criança começa a fundir várias unidades por meio de um contorno comum mais diferenciado. Tanto os olhos como a mão contribuem para este desenvolvimento. Os olhos se familiarizam com a forma complexa que resulta da combinação de elementos até que seja capaz de conceber o todo composto como uma unidade. Quando isto é conseguido, os olhos guiam com segurança o lápis continuamente em movimento ao redor do contorno ininterrupto de uma figura humana inteira, incluindo braços e pernas. Quanto mais diferenciado for o conceito, maior a habilidade exigida para trabalhar desta maneira.

O traço contínuo contornando ininterruptamente a figura humana que Arnheim nos descreve pode ser observado nos desenhos de algumas crianças (Figura 2). O movimento contínuo do pincel percorre a folha construindo a figura humana, no mesmo movimento do traço durante a escrita. Martins (1992: 56) nos indica que “o desenho nasce das primeiras linhas que se traça. São elas que vão apontando desafios, propondo ideias...”. Segundo a autora, antes do desenho há um pré-desenho que inicia no pensamento, uma ideia a ser concretizada pelo desenho, o registro do olhar-pensante sensível do autor, ampliando conceitos, redimensionando o olhar sobre o mundo. Outro desenho nos chama a atenção (Figura 3). Gabriel M, por exemplo, destaca o movimento que o corpo faz e nos mostra o detalhe do olho que pisca,


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