O olhar de cada indivíduo está impregnado com experiências anteriores, associações, lembranças, fantasias, interpretações etc. O que se vê não é o dado real, mas aquilo que se consegue captar e interpretar acerca do visto, o que nos é significativo (Pillar, 2001: 13).
Durante o debate, uma aluna afirmou: “Chamam de matuto aquela pessoa que mora no campo”. O outro comentou: “Não é, apenas por esse motivo. Seria o motivo dele falar errado”, em seguida outro comentário surgiu: “Seria exatamente por ele morar no sítio e lá não ter escola, e ele não ter aprendido a ler e escrever, e por isso fala errado.” Pois bem, muitos outros comentários surgiram sobre: o cenário, as roupas, a maneira de ser, o dialeto, o cotidiano da vida rural. Neste momento ficou
147 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 142-152.
observou as reproduções por alguns minutos em silêncio, em seguida os alunos comentaram suas primeiras impressões sobre as imagens. Nesse momento da aula, todos fizeram comentários. Levantamos os seguintes questionamentos: As três imagens tratam da mesma temática? Como as imagens representam a figura do caipira/matuto? Qual é o contexto/cultura que as imagens abordam/representam? O objetivo destes questionamentos foi instigar os alunos a refletir sobre as imagens, relacionando o conteúdo destas com os padrões representacionais /referenciais dos alunos, no contexto em que estão inseridos e estabelecendo conexões com a cultura rural da atualidade; além de provocar indagações sobre os valores, significados, problemas, dilemas do quê é a vida rural e ser caipira/matuto. Em um segundo momento, propusemos uma atividade extraclasse com outros aspectos a serem pesquisados, analisados e refletidos. Por exemplo: análise descritiva do tema; elementos da linguagem visual e o estilo das obras; o significado do ser caipira/matuto na contemporaneidade; pesquisa de outras imagens que representem a mesma temática; que compreensões se têm da vida rural. Na sala de aula, por meio da orientação de expressarem sua visão os alunos comentaram, discutiram e apresentaram suas pesquisas. Foi um momento de rico debate entre eles, a professora mediou o debate sem expor a sua visão, não quis intervir para não influenciá-los. O importante é que os próprios alunos manifestem, construam sua própria concepção, pensamento, interpretações, tornando-se um cidadão crítico. Na apresentação das imagens, foi interessante perceber as semelhanças entre as que eles veicularam na sala de aula. Nosso interesse neste momento era perceber qual a significação que os alunos iriam atribuir às imagens, compreendendo que poderiam ter leituras diversificadas em relação às mesmas imagens, seguindo o raciocínio de Analice Dutra Pillar: