2. Imagem: instrumento de ensino/aprendizagem reflexivo e critico
Na prática docente partimos do pressuposto que a imagem é fundamental no ensino da arte, é instrumento / recurso / campo de estudo e ensino/aprendizagem. A imagem é um texto completo, rico e complexo tanto quanto o texto linguístico. Repleta de significados, signos, simbologia, informações, mensagens, conhecimentos e dona de uma sintaxe, a imagem é responsável por maior parte da nossa aprendizagem. Nosso primeiro contato ao nascer, na escola, na rua é com a imagem. Nessa linha de pensamento Ana Mae Barbosa afirma: (...) a maior parte de nossa aprendizagem informal se dá através da imagem e parte desta aprendizagem informal é inconsciente. A imagem nos domina porque não conhecemos a gramática visual nem exercitamos o pensamento visual para descobrir sistemas de significações através das imagens (Barbosa, 1998: 138).
A imagem propõe ao leitor uma análise, apreciação, reflexão, crítica sobre questões e problemas éticos, estéticos, sociais das comunidades brasileira e mundial, portanto relacionando o conteúdo/narrativa da imagem com o contexto no qual estamos inseridos. Conforme, Martins “as imagens aproximam os alunos do conhecimento e dos problemas relacionados ao contexto social e cultural em que vivem” (Martins, 2010: 01).
145 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 142-152.
personagens do pintor são gente de “carne e osso”, que conheceu pessoalmente, gente que tinha nome, comia, vivia, amava. Assim, o modelo para Picando Fumo (Figura 1) era um tipo popular de Itu, e a mulher que aparece escutando O Violeiro (Figura 2) era figura notória da cidade, misto de enfermeira e dançarina num cabaré local. Ou seja, todos esses aspectos que expressam o contexto geral das obras, também retrataram a vida cotidiana do artista, Almeida Júnior. Em relação à palavra caipira, ela vem da língua tupi, ka’apir ou kaa-pira, que significa “cortador de mato”. De uma maneira geral, caipira é uma palavra que se refere a todos os que moram nas pequenas cidades dos interiores, esse termo é mais comum ao Estado de São Paulo/Brasil. São utilizadas, com igual sentido, outras designações, como “capiau”, em Minas Gerais, “matuto”, no Nordeste do País, e colono, no Sul. A “cultura Caipira” se caracteriza, entre outros aspectos, pela simplicidade, religiosidade e valorização da riqueza de tradições: festas, culinária, artesanato, superstições, folclore e elementos, como chapéu, bota, cinto, vestido, uma flor no cabelo, entre outros. Esses modos e modas da vida do campo influenciam tendências que transitam entre o casual e o natural, expressões de uma forma de viver voltada à harmonia com a natureza e à valorização dos recursos do planeta (Bello, 2009).