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MATÉRIA-PRIMA 1

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1. Entre o clássico e o popular: Almeida Júnior um jeito rural, caipira, realista, romântico, brasileiro

José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em Itu, Estado de São Paulo/Brasil, em 8 de maio de 1850, foi considerado como um dos precursores da valorização da temática regionalista, retratou em suas telas, a vida simples do campo e o caipira paulista. Identificamos na sua produção artística características do clássico, a técnica apurada e naturalista, porém, seus temas realistas trazem aspectos sociais e renunciam à visão romântica e histórica dos pintores da Academia, em favor da representação do dia a dia. Ao analisar algumas das obras percebemos que o detalhe das roupas, a riqueza das cenas e a expressão viva dos personagens por ele retratados mostram sentimentos, razões e acontecimentos importantes ou casuais da vida cotidiana. O realismo presente na sua obra, acentuado por tons claros e escuros, cria a sensação de proximidade e instiga a imaginação de causos, histórias e lendas. Sua produção, não muito extensa, é valiosa do ponto de vista estético, histórico e social, nela se misturando influências românticas e realistas. Realista, os

143 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 142-152.

da capital João Pessoa/Brasil — com dezenove alunos de uma turma de 8º ano, todos na faixa etária dos treze anos. A experiência teve como foco de estudo e reflexão a imagem do caipira/matuto e a vida rural inserida na obra do artista brasileiro Almeida Júnior e na contemporaneidade através de composições musicais com narrativas sobre a vida rural. Algumas das composições musicais abordadas foram: Romaria (Renato Teixeira), Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense / João Pernambuco), Jeito de Mato (Paula Fernandes e Maurício Santini), Vida boa (composição Victor Chaves), Deus e eu no sertão (composição Victor Chaves). Desse modo, objetivamos analisar de forma reflexiva e crítica tanto na linguagem imagética quanto na musical as representações em torno da figura do caipira/matuto e do seu cotidiano, além de identificar as representações que os alunos constroem em torno desta figura. E ao final da experiência os alunos em grupo produziram a partir de uma obra de Almeida Júnior e uma composição musical uma tela viva e uma música animada. A partir do livro didático do aluno — tendo em vista o livro didático como facilitador, colaborador, norteador, um recurso que aponta caminhos e não como vilão que limita, restringe — procuramos trabalhar com a abordagem triangular nas suas três vertentes: a leitura de imagem, o fazer artístico e a contextualização, por meio de práticas significativas mediada por pesquisas e análises, pelo estudo da produção acadêmica e da popular, do passado e da atualidade. Desta forma, construindo uma aprendizagem significativa, reflexiva, crítica e criativa por meio de um processo de fruição, reflexão e produção.


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