1. Das exposições “Meu Quintal” e “Corpo — Morada Entre Lugares”
Essas exposições se concretizaram partindo do nosso contato com as artistas e da aproximação que realizamos com o universo, a poética, a temática e o processo de criação das mesmas. A primeira traz o ambiente interno e externo que se remete ao meio ambiente, o contato com a natureza numa proximidade que distancia, pois como cuidar da Amazônia se não olhamos/cuidamos do nosso quintal e tudo que nele mora
135 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1), pp. 132-141.
professores de arte? Como efetivamente essa proposta se tornaria formação, possibilidade de fruição e mediação? No desencadear destes pensares e fazeres surgiram outras e novas indagações que nos motivaram ao mesmo tempo em que nos guiaram: Quais relações são possíveis nesse processo? Que redes/conexões podem ser construídas? Como desdobrar, estudar e trabalhar com essas obras com diferentes faixas etárias, enfoques e modalidades? Como o professor que “visita’ as exposições pode criar caminhos metodológicos para o trabalho em sala de aula, na educação básica? Como se daria a curadoria do que seria apresentado nas exposições? Como realizar exposições sem verbas? Como trazer e fazer público para elas? De que forma faríamos as medições/ações educativas? Iniciamos os trabalhos partindo dos contatos que já tínhamos, dos artistas e obras que conhecíamos, considerando os materiais e suportes disponíveis, assim como as modalidades artísticas que deviam ser trabalhadas e contempladas pelos professores nas aulas de arte, segundo a proposta curricular vigente. Desde a primeira exposição, muito tímida e sem muitas intervenções até a que apresentamos no momento, foram 13 propostas, 13 sonhos e desejos de formações que, pensadas e elaboradas a partir do contexto das exposições, apresentam questões de curadoria educativa realizadas para disseminar a idéia de ação cultural num olhar voltado para acessibilidade da arte ao público, provocando e despertando a fruição, não somente focalizada nas imagens/obras de arte, mas em uma experiência que permita pensar na vida, na linguagem da arte promovendo leitores e fruidores de signos e de mundo. Para ilustrar este percurso, utilizaremos como exemplos duas exposições: “Meu Quintal” da artista visual Edna Cassal e “Corpo — Morada entre Lugares” da artista visual Margarida Holler, que trazem importantes contribuições, questionamentos e desdobramentos para a formação dos professores de arte e, consequentemente, para os alunos, uma vez que englobam pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, fotografias, instalações, textos, poesias, construções, processos, objetos, o particular e o público, o micro e o macro, o próximo e o distante, o meu e o nosso.