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MATÉRIA-PRIMA 1

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126 Terraza, Cristiane Herres & Peixoto, Leandro Antônio Grass (2013) “Expressões da sociedade líquida: uma experiência de integração entre o ensino da arte e o saber sociológico.”

e em contínua transformação. Nesse sentido, constrói-se a metáfora da liquidez, em uma alusão a fluidez e instabilidade desse estado da matéria. Hoje, os padrões e configurações não são mais “dados”, e menos ainda “auto-evidentes”; eles são muitos, chocando-se entre si e contradizendo-se em seus comandos conflitantes, de tal forma que todos e cada um foram desprovidos de boa parte de seus poderes de coercitivamente compelir e restringir. E eles mudaram de natureza e foram reclassificados de acordo: como itens no inventário das tarefas individuais. Em vez de proceder a política-vida e emoldurar seu curso futuro, eles devem segui-la (derivar dela), para serem formados e reformados por suas flexões e torções. Os poderes que liquefazem passaram do “sistema” para a “sociedade”, da política para as “políticas da vida” — ou desceram do nível “macro” para o nível “micro” do convívio social (Bauman, 2001: 15).

A constatação desse quadro serviu, na experiência pedagógica aqui em foco, como base para uma nova significação da abordagem dos Realismos ocorridos no século XX. Não se privilegiou apenas o enfoque nos contextos históricos e sociais peculiares a estes, nem mesmo as intencionalidades de suas criações ou a inventividade estética de cada um. Buscou-se ampliar as reflexões considerando, além dessas questões, a imbricação do pensamento gerador das estéticas estudadas à crítica sobre as realidades atuais. Por estéticas realistas entendem-se aquelas que se referem à visão da experiência, representando de maneira não idealizada o cotidiano que se apresenta. Dessa forma, as correntes realistas apresentam as peculiaridades dos contextos sociais em que se inserem, por vezes de modo crítico, por vezes descrevendo e concordando com determinados parâmetros e práticas. O termo realismo adere à uma prática artística que recusa a idealização, enfatizando temas ligados ao homem comum, seu trabalho, sua vida cotidiana (Chilvers, 2001: 438). 2. Metodologia

O princípio motivador da prática integradora aqui relatada se constituiu na necessidade em atender de forma efetiva o que se estabelece como competência a ser desenvolvida, principalmente na escola secundária, a saber, “o desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos em relação aos padrões universais de conhecimento escolar até hoje constituídos” (Medio, 2004: 12). Tomando esse intuito institucional como base, ressalta-se a necessidade de pensar contemporaneamente as questões da arte, mesmo em sua instância histórica, no sentido de criar significados que reflitam na tarefa de investigar a obscuridade do mundo contemporâneo, na prática da autonomia e na construção de identidade dos estudantes.


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